Nos últimos dez anos o cinema de horror norte-americano inspirou-se em novos conceitos que, a partir de uma gênese, criaram sub-produtos até serem substituídos por outras idéias. O excesso (uma doença grave do cinema de Hollywood) foi o grande responsável pelo desgaste e pela própria renovação de fôlego. "Pânico" de Wes Craven começou essa peleja. O criador de Freddie Kruegguer (vilão-símbolo das produções oitentistas de terror) colocou todos os clichês dessa década num liquidificador, adicionou a irreverência tecnólogica da década de 90 e, em cima disso, ressuscitou o gênero que andava realmente em baixa, naquela época. Uma pena que isso gerou vários filhotes, boa parte, sem inspiração.
Veio, então, a síndrome do Oriente. O Chamado (de Gore Verbinsky) levou ao Ocidente os fantasmas nipônicos com tramas esquizóides, porém, absurdamente atrativas. O que após "O Grito", "Água Negra", entre outros, também já mostra sinais de cansaço. A nova onda surgiu após o lançamento do barato, mas lucrativo, "Jogos Mortais", onde o terror começava a chocar o público com imagens fortes, enfatizando a escatologia e uma certa crueldade redentora. Veio "Jogos Mortais 2" que solidificou essa tese. Jigsaw (o vilão-protagonista) acreditava que alguém que não tivesse cuidado com a própria vida deveria passar por uma situação traumática para, a partir disso, ver o que poderia perder. Algo como um purgatório.
Agora, "O Albergue" de Eli Roth ressalta essa idéia com cenas de tortura absurdamente realistas. É um desses produtos onde o público deve ir sabendo que boa parte das cenas serão apenas escape para sessões de sadismo. Tem gosto para tudo...
Fraquinho... Fraquinho... Quem viu A Máscara do Zorro, salvo me engano de 1998, talvez fique um pouco decepcionado com essa nova aventura do mascarado interpretado por Antonio Banderas. A fórmula ficou meio que perdida no passado. É certo que não há lá excessos de efeitos digitais. Se for tirar por isso até que dá uma boa matinê. É a própria trama que não convence. Banderas e Catherine Zeta-Jones vivem uma crise conjugal e meio que de repente eles se separam. Todavia, mais adiante vamos descobrir que isso não foi à tôa. Catherine tinha seus motivos "nobres" para o ato. Tem também a sub-trama em que o filho do Zorro mostra que possui o DNA heróico do pai, sem saber da identidade secreta do pai. Ou seja, em voga os velhos valores familiares da América.
Apesar da distância dos temas, lembrei bem do "Retorno da Múmia", aventura sem pé-nem-cabeça, mas que batia forte nesse lado Família. O vião (que não poderia faltar, ora) é apagado. Tem lá seus motivos de encher um trem de nitroglicerina e provocar um ato terrorista para abalar a união da Califórnia aos EUA. Certo. As lutas são bem orquestradas. A trilha sonora ajuda. E dá para salvar uma ou outra cena. Contudo, o resultado é mesmo insatisfatório. Bem, tem quem goste. Não foi o meu caso.
Certo dia estive participando de um Congresso de Comunicação na cidade de Natal e um dos palestrantes citou a chamanda "Revolução das Fontes", como um dos principais adventos da nossa era. Isso significava que, hoje, não são apenas os jornalistas que "comandam" a informação. Qualquer pessoa que tenha em mãos um computador conectado a Internet pode colocar suas informações, opinar sobre isso ou aquilo, etc... Ou seja: a comunicação tornou-se comunitária. Você pode estar em qualquer recanto do planeta e de lá mandar ver sobre qualquer assunto...
Considero essa revolução essencial... A voz não pode ser limitada a um ou dois grupos de pessoas, deve, sim, ser universal... Para este blog que chamo de Observatório de Cinema, pretendo colocar meus comentários sobre filmes (óbvio!!!) procurando abrir uma discussão sadia sobre o que está se produzindo atualmente, sobre o que estamos recebendo de mensagem (de bom e de ruim)... Será uma interatividade... Emito minhas opiniões e espero essa "resposta" de quem for perder um tempinho lendo essas linhas...
|
||
![]() | ||
![]() | ||
![]() | ||
|
||