DICAS DA TV - 31 DE DEZEMBRO A 06 DE JANEIRO

Difícil achar algo que preste na televisão, não é? Pois bem, neste espaço vamos garimpar os filmes mais interessantes que as TV´s irão exibir. Se interessar, bom apetite!!!

31 de dezembro: Monstros S.A. (globo, 12h20) - Os Irmãos Cara-de-Pau (Record, 20h) - Moulin Rouge (globo, 1h50)
01 de janeiro: X-Men 2 (globo, 20h55)
02 de janeiro: O Cordunda de Notre Dame (globo, 13 05) - 13 Dias Que Abalaram o Mundo (globo, 1h25)
04 de janeiro: Amor Além da Vida (Band, 21h50)
05 de janeiro: Wall Street (globo, 2h20)
06 de janeiro: Memórias Póstumas (cultura, 21h30)

OS DEZ MELHORES DE 2006:

Listas... Listas... Fim-de-ano temos essas tradições de "Listas"... O que teve de melhor... O que teve de pior! O que arrebentou e o que se arrebentou. Na minha lista com OS DEZ MELHORES FILMES DO ANO, fiz uma seleção criteriosa numa listagem de 40 filmes, dos mais de 180 que vi em 2006. A seleção não leva em conta apenas questões técnicas. É um conjunto do que mais me agradou e que vi ou em cinema ou em locadora.

E vamos à lista:

01. O Labirinto do Fauno de Guillermo del Toro
02. Vôo United 93 de Paul Greengrass
03. Três Enterros de Melquíades Estrada de Tommy Lee Jones
04. O Jardineiro Fiel de Fernando Meirelles
05. Boa Noite, Boa Sorte de George Clooney
06. Match Point de Woody Allen
07. Volver de Pedro Almodovar
08. Os Infiltrados de Martin Scorcese
09. Brockeback Mountain
de Ang Lee
10. Paradise Now de Hany Abu-Assad

NACHO LIBRE

Encontro algumas semelhanças entre Jack Black e Jim Carey na forma de fazer humor. Ambos são espalhafatosos. Utilizam todo o corpo para fazer comédia. Carey é desengonçado e careteiro, da mesma forma é Jack Black que em Nacho Libre utiliza todo o seu arsenal para construir um filme onde o bizarro alicerça o fiapo de história.





A diferença entre os dois é que Jim Carey já mostrou versatilidade em papéis dramáticos, os quais ele faz muito bem, por sinal. Se em O Show de Truman tivemos essa grata surpresa, O Mundo de Andy e, principalmente, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembraças atestaram sua competência enquanto ator de vários papéis. Hoje, um drama que tenha o seu nome dos letreiros é bem vindo. Quanto a Jack Black reconhecemos seu lado cômico, falta saber se ele tem essa mesma eficiência em produções mais densas.

Feitas essas considerações, Nacho Libre (recém-chegado nas locadoras) diverte por não ter muito o que dizer. Jack Black é um frade disposto a entrar no mundo da luta livre, considerado por seus colegas de celibato um "Pecado". Imbuído de boas intenções (salvar o almoço dos pequenos órfãos) Ignácio (este é o seu nome) utiliza o pseudônimo Nacho Libre, arruma um companheiro de ringue (Esqueleto) e parte para a pancada.

E como eles apanham. Não vencem ninguem. Ainda recebem algum vintém porque o público gosta de vê-los surrados. Nacho Libre se torna engraçado por resgatar aqueles velhos programas da televisão com lutadores estilizados e golpes acrobáticos que, inacreditavelmente, tinham enredo. Algo bem "Rocky Balboa". Uma dupla apanhava feio, mas geralmente vinha a redenção. Diversão Trash das noites de sábado.

Em Nacho Libre, a persona de Jack Black se sobressai. Ele não cansa de utilizar saltos estapafúrdios e abusar de um sex-appeal de peixe-boi. Contudo, seu parceiro (o tal Esqueleto), rouba cena. O filme, quando ele está presente, se torna ainda mais engraçado. Como disse um amigo meu: "É o coadjuvante do ano".

P.S.: A trilha sonora é das mais inspiradas. Tem até canja de brasileiro.

DIVULGADA A PRIMEIRA IMAGEM DO SURFISTA PRATEADO

Quem acompanhava as histórias em quadrinhos, sabe que o Surfista Prateado é um dos personagens mais trágicos do Universo Marvel. Único sobrevivente de seu planeta, devorado pelo gigante Galactus (para quem não conhece, ele se "alimenta" da essência dos planetas), ele é obrigado a se tornar uma espécie de arauto do caos, visitando os futuros lanches do vilão. Pois bem, Quarteto Fantástico 2 irá tratar dessa história. E aqui mostramos o visual do Surfista, que acaba de ser divulgado no Rotten Tomatoes...




ABISMO DO MEDO

O terror claustrofóbico e a falta de ar são apenas alguns dos elementos que tornam Abismo do Medo um filme assustador. As criaturas do submundo (um tipo "Gollum" mezzo morcego-canibal) são os agentes que tornam esse medo crível.

 The Descent Movie Stills: Shauna MacDonald, Natalie Mendoza, Alex Reid, Neil Marshall

Mas é o medo psicológico, o trauma, a vingança, o que realmente assombra nossos sonhos nesta produção inglesa sobre um grupo de mulheres que se aventura no subterrâneo em busca de adrenalina, ou será redenção?

Logo nas primeiras cenas temos uma idéia do que vamos encontrar. Uma tragédia marca a vida de uma daquelas mulheres. A filha morre num acidente de carro, da qual a mesma escapa.

Um ano depois, essa perda ainda está viva na memória da mãe. Uma expedição, organizada pela sua turma, seria uma forma de distração, na filosofia de que a vida continua. O encontro dessas seis mulheres, tipos construídos, serve para causar aquela empatia que, quando o caldo entornar, vai nos deixar com o coração na mão.

Basicamente, com meia hora de projeção, o grupo está preso na caverna subterrânea. O ar é escasso e a coisa esquenta quando elas descobrem que não estão sozinhas. Óbvio que, de antemão, sabemos o desenrolar da trama divulgada à exaustão.

A forma como se chega lá é que vai dar o tom da história. O suspense, que nunca nos dá sossego, ultrapassa os limites do suportável quando a esperança, sim ela, desaba perante uma revelação. E é isso que torna "Abismo do Medo" ainda mais aterrorizante, pois é o instante em que a bárbarie (ou a loucura?) supera a razão e o ódio consome a alma mais digna. Assista para entender.

De sessão passatempo, "Abismo do Medo" é mais eficiente veiculado em cinema ou home theather. É do tipo de filme em que o sistema de som e a iluminação contribuem, e muito, para torná-lo uma experiência das mais desagradáveis. Ponto positivo, pois creio que é isso que a platéia que se envereda pelo gênero procura.

Irônico mesmo é o lance final, onde a alucinação vence a realidade. Por mais que tenhamos uma segunda opção, a cegueira, em "Abismo do Medo", não é uma característica única das criaturas que infestam o filme. É também das suas personagens. Que não enxergam a saída, a traição e, muito menos, a salvação.

CRÍTICA RECEBE COM PERPLEXIDADE NOVO FILME DE DAVID LYNCH

Não há uma lógica propriamente dita nos filmes de David Lynch. Eles simplesmente fluem... Este "Inland Empire" não foge à regra do diretor, considerado, por alguns, surrealista, por muitos, confuso.

 

Inland Empire Movie Stills: Jeremy Irons, Laura Dern, Justin Theroux, David Lynch

Transcrevo aqui a sinopse da Agência Reuters:

"Inland Empire começa contando a história de uma elegante atriz loira numa mansão, que estrela um filme amaldiçoado. Logo ela e o papel se misturam e a trama, que se passa numa área deserta perto de Los Angeles, vai parar nas ruas cheias de neve de Lodz, na Polônia, e depois no meio dos sem-teto do Hollywood Boulevard, onde a atriz se refugia.Tudo no filme é ameaçador, e, para piorar, há uma família de coelhos vestidos de gente. Sempre que os coelhos falam, surge uma claque. O que aqueles coelhos estão fazendo no filme é um mistério que só Lynch pode -- mas não quer -- revelar".

Realmente é difícil dizer do que se trata. Filmes de Lynch são mais experiências sentitivas/visuais e, para quem gosta de cinema experimental, geralmente, é uma boa pedida.

Obs: Numa das cenas-chave de Inland Empyre uma vaca passeia por um cruzamento movimentado de Los Angeles. Para que isso serve? Quem sabe? Talvez, nem mesmo o próprio Lynch.

ACADEMIA REVELA PRÉ-CANDIDATOS AO OSCAR DE EFEITOS VISUAIS

Sete filmes estão disputando três vagas na categoria Efeitos Visuais, do próximo Oscar.

São eles: Cassino Royale, Eragon, Uma Noite no Museu, Piratas do Caribe: O Baú da Morte, Superman - O Retorno, X-Men - O Confronto Final e Poseidon.

O anúncio definitivo será no dia 23 de janeiro, mas desde já, aposto minhas fichas em Superman (para dar gás à franquia, que não foi tão bem nas bilheterias), Piratas do Caribe 2 (consagrando a maior bilheteria do ano) e Uma Noite no Museu (pelo que vi no trailler, pareceu dos mais interessantes).

FONTE DA VIDA

Um filme que transcende os conceitos de vida e morte. Fonte da Vida (The Fountain) nos mostra três tempos (passado, presente e futuro) com uma história em comum: a obsessão pela imortalidade.

Hugh Jackman é o homem que busca encontrar a mitológica Árvore da Vida. No passado, um conquistador espanhol a serviço de sua rainha (Rachel Weisz). No presente, um médico/cientista tentando salvar a vida de sua mulher (Weisz, novamente). No futuro, um astronauta (ou será uma projeção mental?) cultivando o que poderá trazer sua "vida" de volta (Weiz!).

The Fountain Movie Stills: Hugh Jackman, Rachel Weisz, Ellen Burstyn, Darren Aronofsky

Aronofsky (dos igualmente estranhos "Pi" e "Réquiem Para um Sonho") filma algo que em certos momentos nos parece familiar, no tocante à narrativa conceitual, mas que em outros instantes reflete um estado de espírito. São imagens-símbolo em congruência em histórias que, por mais díspares que possam aparentar, terminam desaguando na mesma fonte, pois possuem um sentido único, linear.

Se, para alguns, Aronofsky soou "pretensioso" (há ecos de "2001: Uma Odisséia no Espaço", de Stanley Kubrick), na verdade o diretor busca alternativas para um cinema preguiçoso, de roteiros rasos e sem densidade dramática.

Feito por um Michael Bay, "Fonte da Vida" padeceria sob sua auto-importância. Sob a tutela de Aronofsky, temos um filme silencioso (mesmo com a intensa trilha sonora), onde a idéia dá voltas, contudo há uma essência verdadeira, quase sublime, onde o amor tende a ser imortal.

Filme visto na sessão das 16h50, no MAG Shopping, em João Pessoa/PB

INDICADOS AO GLOBO DE OURO

- Melhor Filme dramático:

"Babel"

"Bobby"

"Os Infiltrados"

"Little Children"

"The Queen"

- Melhor atriz em filme dramático:

Pelénope Cruz, "Volver"

Judi Dench, "Notes on a Scandal"

Maggie Gyllenhaal, "Sherrybaby"

Helen Mirren, "The Queen"

Kate Winslet, "Little Children"

- Melhor ator em filme dramático:

Leonardo Dicaprio, "Blood Diamond"

Leonardo Dicaprio, "Os Infiltrados"

Peter O'Toole, "Venus"

Will Smith, "The Pursuit of Hapyness"

Forest Whitaker, "The Last King of Scotland"

- Melhor filme de comédia ou musical:

"Borat"

"O Diabo veste Prada"

"Dreamgilrs"

"Pequena Miss Sunshine"

"Obrigado por Fumar"

- Melhor atriz em um filme de comédia ou musical:

Annete Bening, "Running with Scissors"

Toni Collette, "Pequena Miss Sunshine"

Beyoncé Knowles, "Dreamgirls

Meryl Streep, "O Diabo veste Prada"

Renée Zellweger, "Miss Potter"

- Melhor ator em filme de comédia ou musical:

Sacha Baron Cohen, "Borat"

Johnny Depp, "Piratas do Caribe - O Baú da Morte"

Aaron Eckhart, "Obrigado por Fumar"

Chiwetel Ejiofor, "Kinky Boots"

Will Ferrel, "Stranger than Fiction"

- Melhor filme de animação:

"Carros"

"Happy Feet"

"A Casa Monstro"

- Melhor filme estrangeiro:

"Apocalypto" (EUA)

"Letters from Iwo Jima" (EUA/Japão)

"The lives of others" (Alemanha)

"O Labirinto do Fauno" (México)

"Volver" (Espanha)

- Melhor atriz coadjuvante em longa-metragem:

Adriana Barraza, "Babel"

Cate Blanchett, "Notes on a Scandal"

Emily Blunt, "O Diabo veste Prada"

Jennifer Hudson, "Dreamgirls"

Rinko Kikuchi, "Babel"

- Melhor ator coadjuvante em longa-metragem:

Ben Affleck, "Hollywoodland"

Eddie Murphy, "Dreamgirls"

Jack Nicholson, "Os Infiltrados"

Brad Pitt, "Babel"

Mark Wahlberg, "Os Infiltrados"

- Melhor diretor de longa-metragem:

Clint Eastwood, "Flags of our Fathers"

Clint Eastwood, "Letters from Iwo Jima"

Stephen Frears, "The Queen"

Alejandro González Iñárritu, "Babel"

Martin Scorcese, "Os Infiltrados"

- Melhor roteiro de longa-metragem:

Guillermo Arriaga, "Babel"

Todd Field e Tom Perrotta, "Little Children"

Patrick Marber, "Notes of a Scandal"

William Monahan, "Os Infiltrados"

Peter Morgan, "The Queen"

- Melhor trilha sonora original de longa-metragem:

Alexandre Desplat, "The Painted Veil"

Clint Mansell, "Fonte da Vida"

Gustavo Santaolalla, "Babel"

Carlo Siliotto, "Nomad"

Hans Zimmer, "O Código Da Vinci"

- Melhor Canção Original de longa-metragem:

"A Father's Way", "The Pursuit of Happyness" (música de Seal e Christopher Bruce, letra de Seal)

"Listen", "Dreamgirls" (música e letra de Henry Krieger, Anne Preven, Scott Cutler e Beyoncé Knowles)

"Never Gonna Break my Faith", "Bobby" (música e letra de Bryan Adams, Eliot Kennedy e Andrea Remanda)

"The song of the Heart", "Happy Feet" (música e letra de Prince Rogers Nelson)

"Try not to remember", "Home of the Brave (música e letra de Sheryl Crow)

CASSINO ROYALE

Faltou audácia ao novo filme da franquia 007? Não acho. Os produtores foram, sim, muito corajosos, pois romperam com um modelo já estabelecido e resolveram "recriar" ou "começar do zero" a história de James Bond.

Essa repaginação foi motivada após "Die Another Day" demonstrar sinais de cansaço. Apesar de ter sido o filme mais lucrativo da carreira do agente britânico, o público jovem, segundo uma pesquisa, demonstrava que não tinha mais tanto interesse em ir ao cinema para ver mais um filme de Bond.

 Casino Royale Movie Stills: Daniel Craig, Judi Dench, Jeffrey Wright, Martin Campbell

Com "Cassino Royale", voltamos no tempo. Encontramos um James Bond (Daniel Craig) em início de carreira. Toda a mitologia da obra de Ian Fleming parece estar sendo moldada. Bond está mais brucutu. Falta a elegância peculiar de sua persona, adquirida com a experiência.

Vejo "Cassino Royale" como a pedra bruta esperando para ser lapidada. A aventura é  violenta, chega a ser impactante. Bond está mais humano, é torturado, sofre, apanha, e chega até a se apaixonar pela bondgirl Vesper Lynd (a francesa Eva Green, vista em "Os Sonhadores" de Bernado Bertolucci). O que irá ter repercussão nos demais filmes da série.

Saí satisfeito, da sessão e animado para BOND 22, que deverá chegar aos cinemas em novembro de 2008.

Filme visto na sessão das 13h, do Midway Mall, em Natal/RN.

DICA DE FILME: VOCÊ JÁ VIU AMÉLIE POULAIN?

Se a premissa de Leonardo Da Vinci de que “os olhos são a janela da alma” for verdadeira, o olhar faceiro e jovial da atriz Audrey Tatou é um dos bons segredos do diretor Jean-Pierre Jeneut para confirmar o êxito arrebatador de O Fabuloso Destino de Amelie Poulain.

 

O filme narra a trajetória de uma garçonete que, certo dia, encontra em seu apartamento uma antiga caixa contendo velhos brinquedos. Após algumas investigações, ela, surpreendentemente, consegue chegar ao seu antigo dono. Um senhor de idade que escondeu a caixinha, ainda na infância.

 

 Amelie Movie Stills: Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz,  Rufus, Jean-Pierre Jeunet

           Olhar faceiro de Audrey Tatou é a alma de "Amélie"

 

Ao observar o reflexo dessa boa ação, a emoção vivida por aquele senhor, a garota decide gastar o restante do seu tempo livre dedicando-se em promover atitudes positivas para quem estiver ao seu redor.

 

O roteiro, aparentemente, simplista, mostra-se eficaz na carpintaria acertada de Jeneut. Mesmo assim, muitos críticos chegaram a dizer que o referido filme não passava de uma “historia em quadrinhos” ou, mesmo, “belo, porem vazio”. Pouco preocupado com essa questão, o diretor chega a dar voz a um de seus personagens ao comentar que “os críticos literários são como abutres, de olho na carcaça dos seus escritores”. Uma clara referência aos seus futuros detratores.

 

A verdade é que Amelie revela-se como uma curiosa fábula moderna de costumes, dando especial realce às peculiaridades cotidianas. Uma seqüência, logo de inicio, demonstra bem isso. Ao apresentar as diversas personalidades que irão participar da historia, conhecemos, de antemão, suas preferências e discordâncias. Coisas simples, impossíveis de se levar em conta, mas que em Amelie ganham especial evidência.

 

 Amelie Movie Stills: Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz,  Rufus, Jean-Pierre Jeunet

        Filme cria uma Paris encantadora, quase um cartão-postal

 

É tanto que, durante a projeção, somos apresentados a tipos genuinamente europeus, envoltos numa atmosfera quase surreal. Nesse contexto, é importante frisar o papel da fotografia de tons vibrantes, adicionada à trilha sonora embriagante, contribuindo para criar uma “Paris Ideal”, de sonhos, colorida e encantadora. Um cartão-postal, atraente aos olhos e aos demais sentidos.

 

Nesse refúgio notadamente escapista, o já citado olhar de Audrey Tatou ganha contornos de hiper-realidade. A todo instante, temos a impressão de que a protagonista poderá interagir diretamente com o espectador, em questão. É fácil notar como, sequencialmente, Amelie se fixa nos olhos de quem a acompanha na sala de cinema, chegando a ser possível acreditar na sua saída da tela. O que não seria um fato inédito. Basta lembrar de A Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen, em que o herói Jeff Bridges abandona a película para conhecer uma dona-de-casa (Mia Farrow) que se abriga nos encantos da sétima arte na intenção de abandonar a dura realidade vivida na época da depressão norte-americana.

 

Em suma, Amelie Poulain é obra de cunho otimista que busca valorizar a vida nos seus mínimos detalhes. A finalidade de Jeneut era idealizar um filme que mostrasse o mundo sob o ponto-de-vista pueril das crianças que, segundo preceitos filosóficos, observam a tudo, atentas e curiosas até que, um dia, esse encantamento se desfaz (uma clara metáfora sobre a passagem para a idade adulta), e tudo se transforma em hábito. Amelie visa, enfim, prorrogar, um ideal estado de espírito, sendo preciso, apenas, para isso, comprar a idéia.  

CRÍTICOS ELEGEM VÔO UNITED 93 O FILME DO ANO

"Vôo United 93" que relata a história do que teria acontecido num dos aviões sequestrados na treagédia de 11 de Setembro, recebeu o prêmio de Melhor Filme do Ano, concedido pela Associação de Críticos de Nova Iorque. A premiação é considerada uma prévia do que poderemos ver no Oscar 2007. O filme de Paul Greengrass, que consagrou-se por ter um estilo documental de filmar, deve chegar nas locadoras de vídeo do Brasil, ainda neste mês de dezembro.

United 93 Movie Stills: Lewis Alsamari, J. J. Johnson, Gary Commock, Paul Greengrass

Na categoria Diretor, Martin Scorcese foi premiado pelo filme "Os Infiltrados", remake de uma produção oriental. Outro destaque foi para Guilherme Navarro, diretor de fotografia do mexicano "O Labirinto do Fauno". O ator Forrest Whitaker foi consagrado como Melhor Ator pelo filme "O Último Rei da Escócia". Hellen Mirren faturou o prêmio de Melhor Atriz pelo filme " A Rainha", onde ela interpreta a Rainha Elisabeth II.

A surpresa foi para a não premiação de "Volver", trabalho recente de Pedro Almodovar. Agora, as expectativas dos cinéfilos se volta para as indicações ao Globo de Ouro. 

Novo filme de Babenco terá trilha de compositor de Kieslowski

O novo filme do diretor brasileiro Hector Babenco, O Passado, terá trilha sonora assinada pelo compositor polonês Zbigniew Preisner, o favorito do cineasta Krzystof Kieslowski. Preisner fez as trilhas do Decálogo (89/90), A Dupla Vida de Véronique (91) e da Trilogia das Cores (93/94), as obras mais consagradas de Kieslowski, que morreu em 1996. Será a terceira parceria entre o compositor polonês e Babenco. Preisner já participara das trilhas dos filmes Brincando nos Campos do Senhor (91) e Coração Iluminado (96).

 

O Passado é um drama amoroso que gira em torno da separação de um casal, com elenco encabeçado pelo ator mexicano Gael García Bernal (de Diários de Motocicleta e Má Educação). No elenco, está também o ator brasileiro Paulo Autran. A estréia está prevista para maio de 2007.

 

Cineweb

Do Mel Gibson ator hoje temos poucos vestígios. Qual o seu último filme? Quem lembra? Agora, o Mel Gibson diretor não sai da Mídia. Após "A Paixão de Cristo", produto de faturamento estratosférico e polêmica idem, Gibson lança no mercado "Apocalypto", história épica sobre a civilização Maia.


Apocalypto Movie Stills: Dalia Hernandez, Mayra Serbulo, Gerardo Taracena, Mel Gibson

O filme deverá abocanhar uma indicação no Globo de Ouro, categoria Filme Estrangeiro, por ser falado no dialeto Maia. Dentre os críticos, há comentários de que "Apocalypto" também deverá ser nome forte no Oscar desse ano. Mas também há controvérsias a respeito disso. Alguns taxaram o longa-metragem de Gibson de abusar da violência. Gibson rebateu dizendo que "Coração Valente" e "A Paixão de Cristo" eram bem mais contundentes. 


Apocalypto Movie Stills: Dalia Hernandez, Mayra Serbulo, Gerardo Taracena, Mel Gibson

 

Outro fato recente favoreceu o boca-a-boca de "Apocalypto". O diretor mexicano Juan Mora Catlett acusa Mel Gibson de ter plagiado algumas cenas de seu filme "Retorno à Aztlan". A denúncia foi feita no jornal "Reforma". Catlett relata que apenas viu o trailler de "Apocalypto", percebendo várias sequências em comum com a sua obra. Talvez essa denúncia seja apenas mais um elemento para fomentar o lançamento desse filme. Mas isso só o tempo dirá...

No seu primeiro final de semana, "Apocalypto" arrecadou 14,166 milhões de dólares. Assumindo o posto das bilheterias norte-americanas. As estimativas são do Box Office Mojo. 

Filme de Clint Eastwood é eleito o melhor do ano pela crítica

"Letters from Iwo Jima" Cartas de Iwo Jima), segundo filme do diretor norte-americano Clint Eastwood baseado na história da famosa batalha no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi eleito o melhor filme do ano pelo National Board of Review, que reúne 120 profissionais da indústria cinematográfica.

O órgão, o conselho nacional de crítica, é a entidade que abre a temporada de prêmios cinematográficos nos EUA, que culmina com o Oscar. A produção narra a batalha entre tropas americanas e japonesas na 2ª Guerra pela perspectiva dessas últimas.


Outras premiações foram para a atriz Helen Mirren, por sua interpretação da rainha Elizabeth da Inglaterra no "The Queen", do diretor inglês Stephen Frears, e para Forest Whitaker por "The Last King of Scotland", no qual interpreta o ex-ditador da Uganda Idi Amin Dada.

"Letters from Iwo Jima" estréia nos cinemas norte-americanos no próximo dia 20 e é o segundo filme sobre a ilha de Iwo Jima, após "A Conquista da Honra" ("Flags of Our Fathers"), que mostrou o confronto pelo olhar dos que hastearam a bandeira dos Estados Unidos em Iwo Jima.

Folha Online

Lars Von Trier dará recompensa a quem resolver mistério de filme

O diretor dinamarquês Lars Von Trier prometeu uma recompensa de 30 mil coroas (cerca de R$ 4 mil) e um papel como figurante em seu próximo filme ("The Anti-Christ") a quem desvendar um mistério incluído em seu novo filme, "The Boss of It All". O longa estréia amanhã na Dinamarca.

O diretor, que há uma década foi co-fundador do movimento Dogma 95, escondeu em seu novo filme uma série de dicas visuais que juntas formam um código que deve ser decifrado, informou hoje o jornal "Berlingske Tidende". O passatempo se chama "Lookey", uma contração do inglês "Look for the key" (encontre a chave).

Um "lookey" é um distúrbio visual que está fora de contexto com o resto do filme e que, para os não iniciados, parece um erro, embora na realidade todos respondem a um sistema único para cada filme, que costuma incluir entre 5 e 7 destes passatempos.

Von Trier afirmou que colocará à disposição de qualquer diretor o conceito de "lookey", para que possa ser utilizado livremente.

Na comédia "The Boss of It All", o dono de uma empresa inventa um presidente imaginário que é sempre responsabilizado por medidas impopulares tomadas no dia-a-dia. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

Ilustrada

Warner divulga primeiras imagens de O Homem Que Desafiou o Diabo

A Warner divulgou as primeiras imagens de "O Homem Que Desafiou o Diabo", inpirado no livro de Nei Leandro de Castro "As Pelejas de Ojuara".

O filme está sendo rodado no interior do Rio Grande do Norte e é dirigido por Moacyr Góes. Confira...

Sinopse: O Homem que Desafiou o Diabo narra a história do caixeiro viajante Zé Araújo (Marcos Palmeira). Homem correto e trabalhador, ele é obrigado a casar após desvirginar a filha de um comerciante e passa anos de humilhação nas garras da esposa dominadora. Um dia, ao ouvir uma piada sobre sua própria situação, Zé Araújo vira fera, destrói o armazém do sogro e dá uma surra na mulher, tudo isto enquanto um temporal arrasador cai sobre a cidade. Nesse dia, ele se transforma em Ojuara (Araújo ao inverso), um herói brasileiro da linhagem de Macunaíma e Vadinho que se embrenha pelo sertão nordestino defendendo os desfavorecidos e arrebatando corações femininos.

A POLÊMICA DE TURISTAS

 Ao final da projeção de “O Albergue” pensei cá comigo: é impressionante como os filmes norte-americanos despejam todos os seus estereótipos contra os países “estrangeiros”, nos seus produtos, ditos, culturais, mais especificamente, o cinema. 

 

Neste filme de horror, turistas americanos visitam a Europa em busca de drogas e sexo fácil. Vão parar num albergue, na Eslováquia, onde são capturados, torturados e assassinados. Daquele país, conhecemos figuras estranhas, doentias e o ianque, pobre dele, arrepende-se amargamente de tentar interagir com “Os Outros”.Após a ressaca de “O Albergue” pensei, daqui a algum tempo é bem capaz de filmarem coisa parecida tendo como palco o Brasil. 

  

E “Turistas”, que acaba de estrear nos Estados Unidos, dá voz a essa idéia. Jovens americanos visitam o Rio de Janeiro, usam e abusam dos prazeres locais, até serem surpreendidos com uma quadrilha de tráfico de órgãos. 

 

Tudo isso é pretexto para mais um exemplar da safra de filmes de terror “hardcore”, que parece não ter mais fim, após o êxito de “Jogos Mortais”. Contudo, preocupa essa maneira como “Turistas” retrata o país. As críticas sobre o filme, até este momento, são negativas e o classificam como uma “bomba”. Mas, sequer citam o abuso dos estereótipos contra o Brasil. Por aqui, “Turistas” deve ser lançado em fevereiro, na boca do Carnaval, com o nosso país, literalmente infestado de turistas.

Bonecas Russas

Vi "Albergue Espanhol" em janeiro de 2005. Na época, lembro-me bem, tive aquela sensação de nostalgia de quem acabara de sair de uma "república". O filme, entre outras coisas, fala sobre esse tema e mostrava a vida de estudantes que dividem casa ou apartamento.

Em "Albergue Espanhol" a história se torna fascinante, pois existiam pessoas de várias nacionalidades da Europa morando num mesmo local. Era uma oportunidade de ver como que é que funcionava, metaforicamente, essa tal "União Européia".

Surpreso fiquei ao saber da existência de uma sequência para "Albergue Espanhol". Uma continuação? Para quê? Uma história, por si só, era o bastante! Cai meio naquele conceito de Cinemão Americano onde tudo que chama a atenção vem em Trilogias.

Eis que chegamos a este "Bonecas Russas", que  dá continuidade à história cinco anos após os acontecimentos de "Albergue Espanhol". A trama se concentra em Javier (Romain Duris), escritor de livros românticos e biografias de neo-celebridades. Beirando os trinta anos, o encontramos escrevendo sobre a sua vida e se questionando sobre o que ele fez de importante até aquele instante.

Parece conjunto de reflexões de quem já chegou numa certa idade e descobriu que os sonhos da adolescência ainda não foram realizados. E, se ainda há esperanças de concretizá-los, o tempo é pouco.

Mas esse conceito não se firma ao longo da projeção. Bastante movimentando, "Bonecas Russas" embasa essa tese, porém prefere gastar seus fotogramas nas aventuras amorosas dos personagens e nas suas consequentes decepções, idas e vindas.

Ao final de "Bonecas Russas", lembrei-me dos filmes de Richard Linklater (Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol) que exibiam propostas parecidas. O primeiro mostrava o encontro entre um casal, jovens e cheios de energia, e alguns anos depois (na sequência) o reencontro, com as cicatrizes da vida bem expostas.

Mais reflexivo, esses dois longas possuíam uma essência das mais verdadeiras, pois quem tinha visto Antes do Amanhecer, dificilmente não iria se identificar com Antes do Pôr-do-Sol. A vida passa. Nossas expectativas mudam. E esses dois filmes demonstravam justamente esse processo de maturidade.

 De "Albergue Espanhol" para "Bonecas Russas" há também um direcionamento nesse sentido, mas de maneira tímida, se compararmos aos projetos de Linklater.

Continuo achando que "Bonecas Russas" seja um filme desnecessário. Não que seja ruim. A linguagem visual é moderna, há conexão entre os personagens e várias situações da vida de qualquer pessoa e, o melhor, o tempo não demora a passar. O seu parecer negativo se dá apenas por ser veículo mal utilizado por quem queria fazer apenas uma continuação. Sobram os belos cenários europeus: Londres, Paris, São Peterburgo, Moscou...

Carros

Uma gama de criatividade cerca "Carros" por todos os lados. Mal conseguimos enxergar os vários detalhes ofertados por esta bela animação (a mais nova parceria entre Disney e Pixar).

Carros de corrida disputam uma competição. Alta velocidade. Jornalistas (em forma de carros) narram a disputa. Na arquibancada, carros "tietes" suspiram pelo grande campeão, enquanto outros carros vendem acessórios e gasolina. Tudo acontecendo ao mesmo tempo. Basta piscar os olhos para perder alguma coisa.

É esse universo estilizado uma propriedade dos desenhos animados. São animais, robôs, monstros, brinquedos, insetos e, agora, "Carros", todos com características humanas. Vemos nossos defeitos e manias caracterizados em outros universos. Uma verdadeira tentação para nossos olhos. Observar o que fazemos, dia-a-dia, sob um ponto-de-vista mais aguçado.

Se há todo esse aparato para nos embriagar, no roteiro, "Carros" não é muito diferente de tantos outros produtos da cultura norte-americana. Há o carro de corridas em ascenção (o Relâmpago), uma taça cobiçada, a busca pelo sucesso e um ego inflado, de quem só busca a vitória (o Winner).

Há também uma situação que poderá mudar esse meio de vida. Uma nova visão de mundo onde os "perdedores", os isolados, buscam, não mais, que o sossego, a paz. Esse confronto de mundos, o protagonista egocêntrico sendo obrigado a conviver com outros "carros", com outras preocupãções, dará a tônica desta animação: a importância das pequenas coisas, da vida em família, do "American Way of Life".

Não que seja negativo priorizar valores. Nada contra filmes que propõem lições de moral. Mas, "Carros" não aquece nossos corações. Parece se valer de fórmulas, tão enferrujadas, que chegam a provocar um contraste com seu fascinante visual. Cenários, estilos, faces, modismos, tudo tão original para um discurso dos mais manjados. Mesmo assim, é válido enquanto diversão.

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