MORANGOS SILVESTRES
Com Morangos Silvestres (Smultronstället, Suécia, 1957) o diretor sueco Ingmar Bergman faz, além de uma reflexão sobre a existência, um tratado sobre morte, vida e nossas escolhas. Podemos ser solitários ou adiar o isolamento. Nossos erros podem provocar os erros de outros. Nossos medos e inseguranças podem perpetuar por gerações.

Morangos Silvestres: Reflexão sobre o fim da vida em clássico sueco de 1957
Nas lembranças do velho professor Isak Borg (Victor Sjöström), prestes a ser homenageado pelos cinqüenta anos de vida profissional, Bergman promove uma viagem até a universidade onde ele receberá o referido título. No caminho, reminiscências e a interação com outras pessoas irão provocar o questionamento do fim de uma vida que não acabou, mas pode nem ter valido a pena.
E como a morte é freqüente em cada fotograma de Morangos Silvestres.
Bergman nos dá essa bordoada em códigos que se confundem. Realidade? Ficção? A dor de viver ou de enfrentar a vida? A acomodação? O Egoísmo? Quais os culpados?
Morangos Silvestres, enquanto objeto reflexivo, reflete o nosso ego. Como naquele momento em que Isak Borg olha para o passado sem jamais enxergar sua versão jovem, pois ela não mais existe. Foi soterrada por uma trajetória de desenganos.
Ao todo, o filme não é pessimista. Em sua veia crítica a trama apenas aponta para os recônditos escondidos sob a carcaça dos velhos galeões. Apesar da sua aparente dureza, sobressai-se uma poesia, ironicamente, cheia de vida.
A DIETA LIGHT DE “MISS SUNSHINE”
“Pequena Miss Sunshine” é um filme sobre perdedores. Tema caro no cinema ianque, já que sempre que alguém se aventura pelo estilo é recoberto de elogios e tapinhas nas costas. O conceito desse tipo de longa é mostrar um lado mais “humano” do norte-americano pouco visto na telona, certamente por não dar tanto ibope. É cinema para quem quer ir além do jogo de luzes e da barulheira dos multiplexes.

A Família: Em Pequena Miss Sunshine o lado humano é valorizado
Primo de “Miss Sunshine” é “Beleza Americana, primeiro filme do diretor Sam Mendes, laureado com vários prêmios, entre eles o Oscar de Melhor Filme. Basicamente, os dois tratam do mesmo assunto, sendo que “Beleza” se arrisca mais apostando na libido reprimida e na hipocrisia da classe média daquele país, enquanto “Sunshine” apenas esboça uma reação ao American Way of Life, sem se aprofundar nas discussões.
Basicamente, a trama persegue a história de garotinha que viaja de um canto a outro dos States, juntamente com sua família problemática, para participar do concurso Miss Sunshine do título.
Vai naquela onda do road-movie (filme de viagem) em que conhecemos mais um pouco dos personagens, convivendo com seus humores, neuroses e idiossincrasias. Em “Miss Sunshine” há desde o pai repressor ao tio suicida. São vários tipos, cheios de defeitos e vivendo algo mais próximo do que podemos chamar de vida.
O filme, aliás, é muito bem conduzido. Sem pressas ou atropelos, como comumente se faz. Quando chegamos à esquisita conclusão da história já estamos bem acostumados com a trupe e até comungamos com seu desfecho quase anárquico, na verdade, bastante familiar. E é essa a diferença entre “Pequena Miss Sunshine” e “Beleza Americana”. Enquanto o primeiro reforça o aspecto família, o segundo decreta sua falência.
Mas, convenhamos, “Pequena Miss Sunshine”, mesmo com suas limitações, é uma pequena jóia. Uma bordoada light na dieta gordurosa dos blockbusters da indústria. Bacana de se ver e, ao seu modo, reflexivo.
PRODUÇÃO POTIGUAR: JORNALISTA EDSON SOARES FILMA CURTA-METRAGEM "DA GRAÇA"
O Jornalista portiguar Edson Soares nos encaminhou e-mail falando sobre o seu novo trabalho cinematográfico. “Da Graça” é a história de um homem rude (Zé Andrade) que mora no interior e resolve seqüestrar a enteada (a Maria da Graça do título). Para isso ele precisa matar a esposa. O roteiro foi escrito pelo próprio Edson.

Edson Soares prepara a câmera para filmagens de "Da Graça"
Tema polêmico de um diretor que tem no currículo o filme “Caldeirão do Diabo”, de 2004, e alguns documentários em vídeo.
Edson externa que hoje há excelentes produções em curso no Rio Grande do Norte. O problema, pra variar, é que eles não chegam ao público. “Daqui a alguns anos, vão aparecer muitos filmes aqui no Rio Grande do Norte, tenho certeza disso. Existem pessoas talentosas, com projetos audaciosos de cinema. Só falta o apoio do poder público e das empresas”, afirmou.
O diretor potiguar pretende apresentar “Da Graça” nos festivais nacionais e internacionais. A previsão é de que o filme esteja pronto em julho.
Boa sorte, Edson!
"HANNIBAL" BUSCA ORIGENS NUM MAR DE MESMICES
Basta um filme/personagem cair no gosto popular para se tornar uma forma lucrativa (e pouco criativa) de faturar algum dinheiro em cima da expectativa alheia. É só dar uma olhada nos principais lançamentos do ano (Homem-Aranha, Harry Potter, Quarteto Fantástico, Shrek, Piratas do Caribe), todos testados e aprovados por um público relativamente cômodo que deve pensar: para quê perder tempo com idéias novas? Reciclar está na moda!

Ok, o filme é muito ruim, mas não precisa apelar...
“Hannibal: A Origem do Mal” vem meio que nessa esteira. Desde o bem-sucedido “O Silêncio dos Inocentes” que Thomas Harris (o escritor) e Dino de Laurentis (O produtor) teimam em criar uma nova embalagem para um perfume que todo mundo já conhece. Foi assim com o desnecessário “Hannibal” e o competente, mas limitado, “Dragão Vermelho”.
Esta nova ida ao universo de Lecter pretende nos apresentar o gênesis do mal. Como Hannibal viria a se tornar um célebre e refinado canibal? Conhecemos a sua infância e adolescência, trágicas, e sua conseqüente busca por vingança. E só. O conceito do filme é que certos traumas podem refletir profundamente na forma como você vai conduzir o resto da sua vida. Nada original. Jason, o açougueiro-mor da série Sexta-Feira 13, se vinga até hoje, de quem passar pela sua frente!
É assim este “Hannibal: A Origem do Mal”, tão sem profundidade. Constrangedora, cada cena que acompanhamos o jovem Lecter em busca de vingança. O filme, em sim, é um grande constrangimento e, em boa parte do tempo, monótono. Pior quando nos vem à mente a performance de Anthonny Hopkins, enquanto Hannibal. Esta “Origem” escorrega, principalmente, por limar o espírito do personagem da nossa lembrança. Incômodo é o questionamento de quem gosta de cinema e acaba presenciando, até por curiosidade, tamanha picaretagem.
Poucos filmes suscitaram tantas discussões nos últimos tempos quanto "300". Fascista? Manipulador? Mercadológico? Muitos foram os distintivos atribuídos a este segundo filme do diretor Zack Snider que, pelo menos, provou seu talento enquanto carpinteiro das produções de Hollywood, demonstrando grande capacidade técnica em filme de orçamento na casa dos 64 milhões de dólares. Muito dinheiro, contudo filmes como "Superman - O Retorno" gastaram o dobro e mais alguma coisa desse tanto, sem o mesmo sex-appeal.

A MORTE: em 300, pintada com fascinantes tons alucinógenos
Dentre o que se falou sobre "300" achei salutar a observação de Arnaldo Jabor de que o filme faz apologia à morte. Uma observação cabível, tendo em vista que cada gota de sangue derramado, cada membro arrancado parece uma pintura para a nossa vista. "300" torna a morte algo clássico. Linda, e ao mesmo tempo bizarra, como aquela cena da árvore amontoada de cadáveres.
Aliás, Snyder se aperfeiçoou de seu último longa (Madrugada dos Mortos) para esse atual. Na releitura do filme de George Romero, tínhamos pessoas sendo devoradas por zumbis. Presas dentro de um shopping center, era possível fazer uma releitura anti-mercado de "Madrugada", que já havia sido, inclusive, a proposta de Romero na década de 60. Snyder dava substância a essa idéia numa sessão claustrofóbica, doente, onde o mundo era um lugar tão sem esperanças, visto o final sem escapatória.
Mas não é apenas "300" uma apologia à morte. A morte, hoje, é glorificada nos programas sensacionalistas de rádio e TV, na busca pelos detalhes de cada assunto que foge da normalidade. Caso recente, do massacre em escola americana, foi destrinchado pela Mídia. A gravação feita no celular que possuía mais "gritos" do que imagens sensibilizou, atraiu, hipnotizou os norte-americanos. Morrer hoje, de forma grotesca, horrenda, dá ibope. E creio que nossa geração, acostumada a consumir produtos que glorificam esse estado de coisas, está hipnotizada, quem sabe, fascinada.
Tanto que propaganda recente de filme sobre tortura, fixada em outdoors, para muitos, ultrapassou os limites do mau gosto. Chegando a ser retirada de cartaz. Será um sucesso de público. Disso não tenho dúvidas.
Mas esse é apenas um dos vários aspectos de "300"...
Bastante interessante esse conceito de identidade proposto em “O Céu de Suely”.
Karin Aimouz, o diretor, filma a história de Hermila, interpretada por uma atriz de nome Hermila (Guedes). De volta ao Nordeste, com um filho a tiracolo e, posteriormente, abandonada pelo marido, a personagem se vale do cruel pragmatismo de “rifar” o próprio corpo, oferecendo uma noite de prazer, para conseguir dinheiro, no intuito de ir embora. Para levar seu objetivo adiante, escolhe o pseudônimo “Suely”, assim assume uma máscara. Busca, certamente, uma autopreservação.

A opção de Suely: Nomenclatura fortalece elo ficção-realidade
Esse conceito de nomenclatura aspira fortalecer o elo ficção-realidade. Havendo, a seguir, uma desconstrução dessa idéia. Enquanto “Suely”, Hermila exibe uma armadura. Não se abala com as críticas ou o desprezo da sociedade. Sua tábua é o irreal.
O que fica martelando na nossa cabeça é até que ponto a interseção Hermila/Suely deixará marcas no seu subconsciente? Suely não possui vida, identidade, ou coisa parecida. Foi criada com um propósito.
As conseqüências das suas atitudes só sentiremos na cena em que ela deve entregar o prêmio ao vencedor. Momento filmado por Aimouz com desconforto e particular tristeza. A escapatória física de Hermila não adiantará tanto, já que “Suely”, de opção, se tornará um fantasma presente e, de certa forma, emblemático.

"JACKASS" PROMOVE OS EXCESSOS DA CULTURA DO BIZARRO
"Jackass" é um desses projetos alternativos que ficamos sem entender o porquê de sua concepção. Produção MTV que elevava o grau das famosas "pegadinhas" a um absurdo inexplicável, "Jackass" no tranco foi comentado à exaustão, virou "filme/documentário", alçou o nome de Johnny Knoxville ao estrelato, faturou um bom bocado de dinheiro e, agora, chega a esse "Number Two", dando continuidade ao espetáculo de bizarrices com seres humanos superando os limites da estupidez.

FUGA:Cobaias de "Jackass Number Two" apostam na escatologia
A idéia de "Jackass" é promover uma série de desafios, que geralmente envolvem violência e escatologia, onde os participantes (voluntários) procuram extrapolar os limites do bom senso. Knoxville e sua trupe fazem coisas que ninguém em sã consciência teria coragem de fazer como tentar agarrar uma sucuri e servir de isca para tubarões, com o anzol preso na boca. Isso, o de menos. A cada sequência que vemos eles parecem se superar. Algumas cenas são literalmente insuportáveis de serem vistas até o final.
"Jackass" atrái olhares, justamente, pela curiosidade de ver o grotesco, algo certamente inerente à condição humana. A constante sensação de "asco" não impede de vê-lo até o final, o que exige estômago de aço, importante ressaltar.
Gostei, especialmente, da abertura surpresa e do final, sacaneando os musicais ianques. No mais, excessos que provocaram uma irritante dor-de-cabeça. Já falam de um "Number Three", que deve sair mesmo do papel, tendo em vista seu apelo comercial. Melhor comprar uma aspirina!
Quentin Tarantino e Robert Rodríguez jogarão sangue este fim de semana nas salas de cinema dos Estados Unidos com "Grindhouse", uma homenagem aos filmes de terror e ação dos anos 70 e que, na América do Norte, será visto no sistema "double feature", dois pelo preço um, mas que chegará em separado à Europa e à América Latina.

GRINDHOUSE: Quentin Tarantino e Robert Rodriguez homenageiam Filmes B
Zumbis decompostos contra um povo, uma heroína sensual sem uma perna, interpretada por Rose McGowan, um super-homem na pele de Freddy Rodríguez, corridas de carros fatais e sangue em excesso caracterizam "Planet Terror" (Planeta Terror) e "Death Proof" (Prova de Morte), os dois filmes que compõem "Grindhouse": o primeiro de Robert Rodríguez e o segundo de Quentin Tarantino.
Essa ode aos filmes B das décadas de 60 e 70, que na América do Norte, Austrália e Grã-Bretanha podiam ser vistos como matinês em salas de cinema de bairro ao preço de apenas um ingresso, tem a particularidade de ser dirigida por dois cineastas considerados cult e com um orçamento paradoxal para a idéia: US$ 53 milhões.
UOL CINEMA
Para quem não conhece, o Rotten Tomatoes é um portal que faz a avaliação das resenhas publicadas sobre os filmes lançados atribuindo-lhes estatísticas. Acaba sendo uma dica para quem gosta de cinema, está a fim de uma opinião e leva em consideração a opinião de especialistas no assunto. A lista publicada no RT elege os 50 piores do ano passado. Por aqui, vou citar os DEZ que encabeçam a lista, citando outros longas conhecidos que também entraram na fogueira...
01. Instinto Selvagem 2
03. Crossover
04. Anápolis
05. Uma Comédia Nada Romântica
06. Um Natal Brilhante
07. O Pacto
08. Sorte no Amor
09. Quando Um Estranho Chama
10. Eragon

IMBATÍVEL: Depois do Framboesa, filme também é pior do RT
Outros filmes que entraram na listinha e foram bem comentados pelo público médio: Vovó Zona 2, Garfield 2, O Sacrifício, Ultravioleta, Anjos da Noite 2, A Dama na Água, O Código Da Vinci, O Grito 2, Massacre da Serra Elétrica: O Início e, claro, Turistas.
FILME VAI RETRATAR FOBIAS EM CELULÓIDE
Você tem alguma fobia? Medo de altura? Sangue? Baratas? Ou talvez algo mais estranho como Cores? Internet? Esse é o momento de expressar seus medos no longa-metragem "FilmeFobia", onde o cineasta Kiko Goifman irá retratar os mais diversos tipos de fobia em celulóide.

FOBIAS: Psicose de Hitchcock
O site do filme está no UOL, aberto para que os internautas participem do roteiro do filme enviando histórias de fobias que tenham ou conheçam. O endereço é http://www.filmefobia.com.br
O filme começará a ser rodado ainda este ano. Já estão certas as participações do próprio diretor, do crítico Jean-Claude Bernardet, do músico Lívio Tragtenberg e do roteirista Hilton Lacerda. Serão abordadas desde fobias clássicas -- como de altura e de sangue e a claustrofobia -- até as mais obscuras, como medo de cores, flores ou mesmo gravatas.
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