FILME ROMENO SOBRE ABORTO ILEGAL VENCE NO FESTIVAL DE CANNES

O filme "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" ("4 Luni, 3 Saptamini si 2 Zile"), do romeno Cristian Mungiu, 39, conquistou neste domingo a Palma de Ouro do 60º Festival de Cannes. O longa é ambientado nos anos 80, quando o aborto estava proibido na Romênia sob a ditadura Nicolau Ceaucescu.


Filme romeno conquista a Palma de Ouro de Cannes

O filme é o primeiro capítulo da série "Contos da Idade de Ouro", que Mungiu pretende realizar a partir de suas experiências da juventude.

DUAS HORAS E QUARENTA MINUTOS DE PIRATAS

 

Não boto muita fé em franquias que ultrapassam em excesso as duas horas de exibição. Um filme “redondo” sabe expor sua proposta num bom par de horas. Principalmente quando se trata de uma produção de verão capitaneada pela fartura de investimentos como “Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo”, estréia mundial neste dia 25. As já citadas 2h40 de ação parece tempo demais para uma franquia bilionária que já demonstrava alto grau de embriaguez na sua parte 2.

 

Pirates of the Caribbean: At World
Quase três horas de Piratas. Será que não é demais?

 

Os exageros muitas vezes indicam uma tentativa de encobrir as falhas de roteiro. “Para quê história se já temos um público cativo ensandecido para acompanhar as novas peripécias do Capitão Rock’n Roll Jack Sparrow?”, devem questionar os realizadores. E é nessa premissa que este “No Fim do Mundo” deve se inspirar.

 

“A Maldição do Pérola Negra”, na época cercado de dúvidas, provou que tinha sangue nas veias se configurando como um bom filme de piratas dos tempos modernos. E Johnny Deep com sua persona excêntrica e interpretação propositalmente bêbada de Sparrow era o maior chamativo para novas aventuras em alto-mar. “O Baú da Morte” tinha lá seus momentos com piadas de cartoon, ação incessante, que impedia um piscar de olhos, e efeitos gráficos bem elaborados. Contudo, era inchado e provocava cansaço. 

 

Já este “No Fim do Mundo” pode até ser um oásis de diversão. Só conferindo mesmo para tomar uma posição. Primeiro, basta ter coragem para enfrentar as longas filas e sua “aparente” interminável duração. Antes disso, fica um gigante Ponto de Interrogação.

Taí uma boa dica retirada do Kineblog do Jornalista Rodrigo Carreiro...

PLANO-SEQUÊNCIA 
 

Você sabe o que é um plano-seqüência?
Para quem não sabe, um resumo rápido: são aqueles takes longos, sem cortes, que englobam uma série de ações conectadas.

O blog Daily Film Dose disponibilizou uma relação contendo alguns dos melhores planos-seqüência da história do cinema. E o melhor: cada um dos takes mencionados pode ser visto on-line, em vídeos disponibilizados no You Tube.

Estão lá alguns planos-seqüência antológicos, famosíssimos, como as aberturas de "A Marca da Maldade" (Orson Welles) e "Boogie Nights" (PT Anderson), o encerramento de "Profissão: Reporter" (Michelangelo Antonioni) e a entrada alternativa no restaurante de "Os Bons Companheiros" (Martin Scorsese).

Para conferir tudo, aqui está o link: http://dailyfilmdose.blogspot.com/2007/05/long-take.html.


Deixo aqui o plano-sequência de A Marca da Maldade, do diretor Orson Welles



A PROMESSA E O BELO AROMA VENCIDO DO ORIENTE

 

Quando não há argumentos, certos filmes apelam para a mera distração. Mais precisamente, ludibriar a platéia, que seja com seqüências de ação acachapantes, ou, no caso de A Promessa (Wu Ji, 2005) embalar o produto com cenas feitas sob medida para perfumar a vista. É bem isso o que acontece nesta co-produção China/Hong Kong/Japão/Coréia do Sul. Falta história num produto em que o fato de ser “lindo de morrer”, no seu entender, já é o bastante.

 

The Promise Movie Stills: Cecilia Cheung, Nicholas Tse, Hiroyuki Sanada, Chen Kaige
A Promessa: direção de arte impecável em filme com tão pouco a dizer

 

Essa vaidade exacerbada desferida por A Promessa reflete-se no vácuo que fica após a subida dos créditos. Em cerca de 90 minutos de projeção não conseguimos encontrar nada que o justifique enquanto história. Em vários momentos, quando não se tem o que dizer, soltam-se plumas pelo ar e todos ficam, como tolos, observando-as.

 

A tal promessa do título faz referência ao drama de uma garota pobre (faminta) que promete a uma fada (ou coisa parecida) abdicar do amor em prol de riqueza e poder. Esse mote, mais tarde, será devidamente testado. Mulher feita, o destino escolhido apesar das benesses é vazio, provavelmente, fazendo referencia ao que vemos em tela. Esse confronto de escolhas deveria mover os personagens de A Promessa. Ficou no “deveria”.

 

Contudo, o aspecto mais negativo do longa-metragem é a sua indefinição narrativa. É drama? Comédia? Ou uma “Dramédia Fashion?”. Há cenas de batalhas terrivelmente orquestradas. Ao se propor como épico, A Promessa na maioria das vezes escorrega na pastelaria de filmes como Kung-Fusão (2004), tornando-o algo, pelo menos, irritante.  

 

A Promessa termina se configurando apenas como impacto visual. Até que funcionaria bem, caso se assumisse como mera propaganda de desodorante com aroma falsificado, que começa a feder bem antes do final da festa.

ERAGON

 

O fato de ser um épico fantástico repleto de efeitos especiais não salvou “Eragon” da fritura. A crítica não perdoou o longa-metragem e o deixou no patamar dos piores títulos do ano passado. Todo esse azedume tem explicação. A tentativa de pegar carona na competente trilogia de Peter Jackson (O Senhor dos Anéis) sem oferecer um padrão de qualidade à altura do famoso “primo”. O descaso do público também ajudou no negativismo desse aspecto, já que o filme arrecadou bem aquém do esperado.

 

Eragon Movie Stills: Edward Speleers, Jeremy Irons, John Malkovich, Stefen Fangmeier

Eragon: Produção de fantasia B com vocação de sessão da tarde

 

Deixando essas discussões de lado e observando “Eragon” enquanto simples passatempo é fácil constatar que o filme, enquanto cinema B, tem lá suas virtudes. Primeiro, trata-se de uma produção censura livre. Há sangue, violência, morte, mas nada que embace a lente dos óculos. O clima de aventura é bem presente e a trama até que é digerível.

 

É certo que em "Eragon" há bem mais da galhofa de "Dungeons & Dragons" do que da classe de Frodo & Cia. Os vilões são bem monótonos com John Malkovich dando vida ao chefão que levou aquele universo a uma situação de penúria. Isso compromete bastante “Eragon”, pois jamais temos aquela masoquista sensação de perigo. É tudo tão tranqüilo...

 

A historinha gira em torno de cavaleiros, espectros malignos, profecias, magia e, óbvio, dragões. Uma antiga lenda induz que um dia chegará um Sassá Mutema para salvar o pedaço das mãos ardilosas dos malfeitores. Esse mote é apenas a preparação para a batalha final entre mocinhos e bandidos. Tudo muito simples, principalmente para quem conhece de cor e salteado o ABC de tais distrações.

 

O visual do dragão é bem trabalhado e a interação criatura/homem rende bons momentos. Tanto pela estupidez do protagonista como pelo espírito de sacrifício do animal. Ao todo, um filme que deverá ter espaço garantido nas próximas sessões vespertinas da televisão. O que, convenhamos, para "Eragon" já é o bastante.

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