MORRE, AOS 94, ANTONIONI
O cinema mundial, que registrou na segunda-feira a morte do cineasta sueco Ingmar Bergman, perdeu outro grande mestre: o italiano Michelangelo Antonioni, o chamado gênio da incomunicabilidade, que marcou a história do cinema com filmes como "Blow up - Depois Daquele Beijo", "O Deserto Vermelho" (ou "O Dilema de uma Vida") e "Zabriskie Point".

Antonioni, ícone do cinema introspectivo, que desde meados dos anos 80 estava paralisado em uma cadeira de rodas devido a um derrame cerebral, morreu na noite de segunda-feira aos 94 anos, em sua residência em Roma, rodeado por familiares.
A MORTE DE BERGMAN
Quando recebemos a notícia da morte de um grande cineasta como Ingmar Bergman, a tristeza acaba se confundindo com a sensação do fim de mais um ciclo cinematográfico. E isso vem quando ainda sequer nos recobramos da perda de Robert Altman.

Cada diretor / autor transmite suas particularidades para o celulóide provocando um fascínio característico, tendo como suporte a linguagem e sua forma de ver o mundo. E Bergman ainda era um dos grandes cineastas vivos que trazia a reflexão explícita na carpintaria de suas obras.
Recentemente, vi pela primeira vez “Morangos Silvestres” (1956), filme onde um velho professor, em viagem para receber homenagens, transitava pelas reminiscências, doces e amargas, do seu passado. Bergman neste filme discutia o valor das pequenas coisas da vida, nossos erros, nossas virtudes e tudo o que nos faz humanos, melhores e piores.
Já em o “Sétimo Selo” (1957), um cavaleiro, na idade média, disputava com a própria morte um jogo de xadrez, onde a vitória seria a própria vida. Na filosofia do cineasta sueco, são nossas escolhas quem fundamentam o “existir”.
Bergman se foi. Nosso espírito cinéfilo é devastado. Para o nosso alento, resta a imortalidade do seu legado.
TRANSFORMERS
Michael Bay poderia ter investido toda sua artilharia pesada somente na caracterização dos robôs gigantes de “Transformers”, na correria espetacular, no barulho idiossincrático e na barulheira a mil decibéis. Só isso bastaria para fazer dessa adaptação de filme inspirado em brinquedos, que viraram desenho animado, uma franquia de mega apelo popular.

Transformers: Michal Bay coloca ação, comédia e drama em produção baseada em brinquedos
Contudo, além de todo esse conjunto, Bay nos deu um filme de ação onde prevalece a comédia, tanto por parte do protagonista (Shia Labeouf) como pelos coadjuvantes divertidos. As máquinas também têm seu espaço cômico, em momentos criativamente absurdos, como numa cena em que os Transformers tentam passar despercebidos no quintal dos pais do herói.
Quando o longa-metragem nos golpeia com as seqüências de ação é praticamente impossível não ficar maravilhado. A técnica é impressionante, e conferir o filme em tela grande enche os olhos de fascinação e, logo a seguir, de um enfadonho ar de tédio, conseqüência da dieta cheia de colesterol, que foi essa lava de filmes de férias.
OS DESCONHECIDOS
Idéia bem sacada rende filme curioso. Os Desconhecidos (Unknown, 2006) mostra cinco homens que acordam trancados num galpão sem lembranças do que aconteceu por ali. Dois deles estão presos a cordas e algemas, os outros três caídos. Há sinais de luta e ferimentos visíveis. Um deles atende uma ligação que pergunta se está tudo bem. Dessa ação descobrimos que estamos ao lado de bandidos e mocinhos. Diferenciar quem é quem é o gancho do roteiro.
Há uma explicação lógica para esse esquecimento, que é dita ao passo em que a história é revelada com flash-backs e pedaços de lembranças. Dessa dúvida de caráter é que “Os Desconhecidos” extrai sua força. O filme ainda possui algumas reviravoltas interessantes, boa parte guardada para os minutos finais. Melhor trabalhada a parte psicológica, poderia render uma história das mais interessantes. Contudo, sua falta de compromisso rende um filme irregular, jamais eficaz.
“ALBERGUE
A Columbia Pictures cancelou a exibição de O Albergue 2 nos cinemas do Brasil. O motivo para o cancelamento foi a bilheteria pífia do longa-metragem em solo ianque. O filme vem sendo considerado um dos grandes fracassos do ano. O que, na verdade, seria um reflexo do cansaço desse tipo de produto, onde a tortura física é extrapolada e mostrada com detalhes dignos de qualquer documentário podreira. Isso mostra que a violência “heavy-metal” já não surpreende ninguém e o abuso das imagens fortes para chocar que perde todo o seu impacto com o engodo das repetições
ORDEM DA FÊNIX BATE RECORDE DA QUARTA-FEIRA
Com mídia esmagadora, o quinto capítulo da saga escrita por J. K. Rowling bateu recorde de bilheteria no primeiro dia de exibição. Com a arrecadação de 44 milhões de dólares “Harry Potter e a Ordem da Fênix” superou “Homem-Aranha

Harry, de primeira, bate recorde da quarta-feira
Essa procura também deve estar sendo impulsionada pelo lançamento do último livro da série, no dia 21 de julho. Uma coisa acaba impulsionando a hora. É assim o trabalho do Marketing.
O que impressiona é o fato desse período de grandes produções apresentar bilheterias fenomenais, mesmo com a concorrência. “Piratas do Caribe
NO BRASIL, RATATOUILLE NÃO BATE QUARTETO
Por incrível que pareça, a nova animação da Pixar, “Ratatouille”, não bateu o “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado” no Brasil. A aventura da Marvel continuou sendo o filme mais visto pelos brasileiros no último final de semana. A lista contém mais três franquias: Shrek, em terceiro, “Treze Homens”, em quarto, e “Piratas do Caribe”, na sexta posição.

Ratatouille: público preferiu o quarteto besteirol...
Confira o ranking do fim de semana no Brasil:
ENQUANTO ISSO, NOS STATES...
O novo “brucutu-arrasa-tudo” de Michael Bay lidera as bilheterias norte-americanas. Em apenas, 7 dias “Transformers” alcançou a marca dos 165 milhões de dólares. Não há dúvida que o filme deve perder esse posto, nos próximos dias, com a estréia de “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, quem vem apresentando marketing pesado nos últimos dias.

Transformers em primeiro, mas de olho em Harry...
Confira o ranking do fim de semana nos EUA:
SCOOP – O GRANDE FURO
A estadia de Woody Allen na Inglaterra fez bem ao diretor. Depois do excepcional “Match Point (2005)”, esse “Scoop – O Grande Furo (2006)”, recém-chegado nas locadoras, mostra a boa forma do maestro novaiorquino de clássicos da neurose como “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)” e “A Rosa Púrpura do Cairo (1985)”.

Em Scoop, jornalista volta do além pela paixão ao jornalismo investigativo
Claro que “Match Point” é uma obra superior, tanto na narrativa como na sagacidade de Allen em conduzir um roteiro cheio de nuances, intrigas e traições. É a tensão sexual da trama, entre Jonathan Rhys-Meyers e Scarlett Johansson, quem dá esse molho de pimenta em um filme onde a dualidade os leva a praticar o que, moralmente, não se espera.
Em “Scoop”, Woody Allen volta à comédia. Johansson é uma jornalista iniciante que, do além, recebe a notícia do que poderia vir a ser um grande furo de reportagem: a identidade de um serial killer (Hugh Jackman), um aristocrata bretão que aparentemente não possui um traço sequer de personalizar um assassino.
Allen é um mágico que a ajuda a desvendar esse mistério. Eles se passam por milionários norte-americanos que, propositalmente, conhecem Peter Lyman (Jackman) e tentam encontrar vestígios de sua psicopatia. O detalhe disso tudo é que a fonte para tal informação é um jornalista veterano, morto recentemente, que volta do além para ajudar a jornalista a fazer essa matéria.
As neuroses de Woody Allen estão de volta, assim como os diálogos bem sacados. Falta apenas a química entre Scarlett e Hugh, encarnado em “Match Point” entre a atriz e o soturno Jonathan Rhys-Meyers.
Apesar de ser tocado de forma sutil, o mais interessante em “Scoop” é esse aspecto fascinante do jornalismo investigativo, mesmo sendo realizado de maneira amadorística nesse longa-metragem. Certamente, porque não era intenção primordial do filme fazer essa retratação.
“Scoop”, enquanto cinema, não é nenhum furo de reportagem. Mas agrada sobremaneira por sua simplicidade e, óbvio, pela caracterização da morte como um breve jogo de cartas.
PARA CURAR A INSÔNIA...
Há quem reclame dos que curtem tirar um cochilo na hora do cinema. Mas, convenhamos, certos filme são tão chatos que fica impossível resistir a um bom soninho. No caso desse escriba, quando a história apela para aquela “ação eletrizante”, dormir, geralmente, é a melhor opção.
Deixo aqui uma breve listinha de filmes que foram premiados com uma bela soneca:
Star Wars: A Ameaça Fantasma – toda a cena inspirada em Ben-Hur
Lara Croft: Tomb Raider – passei batido
Piratas do Caribe - O Baú da Morte – as seqüências “bip-bip”
Herói – a beleza plástica e entediante das lutas marciais
O Código Da Vinci – os diálogos pré-educativos
Matrix Reload e Revolutions – o excesso de fundo verde
Pearl Harbor – a love story em pleno ataque
O Retorno da Múmia – o bafo de bode da dita-cuja
O Pacto dos Lobos – o aspecto fantástico-trash de toda a narrativa
O Quarteto Fantástico – sitcom se vê em casa
MIKHAIL BAKUNIN DE LOST PARA
Mikhail Bakunin (Andrew Divoff), um dos personagens mais estranhos do seriado LOST, deverá participar de Indiana Jones

Do roteiro praticamente nada se sabe. O certo é a volta de Harisson Ford, sessentão, que volta a interpretar o personagem em busca de um alento para a carreira. A entrada de Bakunin deve trazer ou uma aura de mistério e intriga à historia, ou, como dizem às línguas venenosas, será apenas mais um russo mal do conluio de vilões. Sim, esse deverá ser o papel dele!
QUARTETO FANTÁSTICO
FILME ACENTUA HUMOR NA TRÁGICA HISTÓRIA DO SURFISTA
Uma das táticas prudencias para acompanhar filmes como “Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado” é desligar o cérebro durante aquele período de projeção. Caso contrário torna-se tarefa hercúlea ver o espetáculo de efeitos especiais e diálogos infames que insiste em dar o ar da graça em mais um produto da Marvel que aporta em território cinéfilo, neste 2007 de tantos blockbusters.

Vôos do Surfista impressionam em coméda da Marvel
A idéia de filmar os quatro fantásticos não é de hoje. Fala-se de um vídeo “maldito”, provavelmente da década de 90, que já abordava os personagens de Stan Lee, mas considerado tão ruim que, comenta-se, faria Ed Wood corar de vergonha. Wood, para quem não sabe, é considerado o pior diretor da história do cinema, homenageado em filme do diretor Tim Burton.
Quando a Pixar lançou “Os Incríveis”, animação com uma família de super-heróis, alguns acharam que a história do Quarteto seria mesmo soterrada. Contudo, “Quarteto Fantástico”, dirigido por Tim Story, terminou sendo lançado e, surpreendentemente, caiu no gosto popular com sua mistura de Sitcom e Aventura Fantástica. Abusando do humor simplista, o filme inaugural contava como um grupo de cientistas ganhou super poderes, após radiação cósmica.
Nesta parte 2, a equipe, agora famosa e alvo de tietagem e paparazzi, convive com o excesso de exposição como se fossem astros do cinema. Poderia ser um aspecto crítico, observar os excessos da Imprensa, caso o filme, em si, não compactuasse com essa mesma Indústria da Futilidade.
A trajetória do Surfista Prateado, arauto de Galactus, o Devorador de Mundos, que nos quadrinhos possui todo um aspecto filosófico, parece ser dissonante do restante da narrativa. A vinda do alienígena indica que a Terra será “consumida” em exatos oito dias. Caberá ao Sr. Fantástico, Mulher Invisível, Tocha Humana e o Coisa arrumar uma maneira de impedir essa tragédia. Um fator dramático para uma história que carrega no molho a
O Surfista, é importante reforçar, não perdeu a essência dos HQ e é o que de melhor ocorre e, certamente, A Justificativa para degustar tamanha abobrinha.
MAIS FRANQUIAS
“DURO DE MATAR
Para os saudosos fãs da série “Duro de Matar” (o último capítulo foi lançado em 1995), uma previsão positiva: Duro de Matar 4 (Live Free or Die Hard) vem recebendo comentários positivos dos críticos de cinema.

É Duro de Matar... Bruce Willis ainda resiste como herói de ação
O Rotten Tomatoes, que faz essa avaliação, dá hoje um conceito de 77%. Superior, por exemplo, a filmes como Homem-Aranha 3 (61%), Piratas do Caribe – No Fim do Mundo (46%), Shrek Terceiro (42%) e Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (36%).
Mas isso são apenas prognósticos. O animador é que “Rocky Balboa (2006)” que se esperava um fiasco, alcançou a marca de 76% no RT, e terminou se configurando um belo filme. Bruce Willis ainda tem persona para segurar uma produção de ação, e se o seu humor estiver realmente afiado é bem capaz de “Duro de Matar
SINAIS DE RESSACA?
“Ratatouille” animação da Pixar faturou a pole-position das bilheterias ianques. Superou Bruce Willis e o novo “Duro de Matar”. Arrecadou 47 milhões de dólares e vem recebendo comentários positivos da crítica americana. Mesmo assim, os números obtidos foram considerados apenas razoáveis pelos engravatados por trás do ratinho cozinheiro.

Ratatouille: 47 milhões de dólares foi pouco, segundo Pixar
A questão é que o público cinéfilo vem sendo bombardeado desde o início de maio, com um verdadeiro desfile de grandes produções. E mais artilharia pesada vem aí com “Tranformers”, “Harry Potter”, “Simpsons”. O cansaço é significativo. Não dá para acompanhar tudo e termina sendo inevitável que um ou outro filme derrape na maionese.
Confira as dez maiores bilheterias do fim de semana nos EUA
1. "Ratatouille," US$ 47,2 milhões.
2. "Duro de Matar 4", US$ 33,15 milhões
3. "A Volta do Todo Poderoso", US$ 15,1 milhões
4. "1408", US$10,6 milhões
5. "Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado", US$ 9 milhões
6. "Ligeiramente Grávidos", US$ 7,4 millhões
7. "Treze Homens e um Novo Segredo", US$ 6,05 milhões
8. "Piratas do Caribe - no Fim do Mundo", US$ 5 milhões
9. "Sicko", US$ 4,5 milhões
10. "Evening", US$ 3,5 millhões
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