A VOLTA DO TODO PODEROSO
A sede franquiática gera filmes sem grande importância. Afinal, qual o sentido para um produto como A Volta do Todo Poderoso, senão destruidor de cofrinhos? Contando com o virgem-de-40-anos Steve Carrel no elenco, o longa ao menos supre a ausência de Jim Carey (protagonista do filme original).

Com A Volta do Todo Poderoso, Steve Carrell faz graça com a Arca de Noé
Steve Carrell é um comediante eficaz, que provou seu talento dramático
Ele, pelo menos, tem boas intenções. E pede a Papai-do-Céu para dar uma forcinha no mandato. Eis que Ele (Morgan Freeman) surge em pessoa ditando que Carrell deve construir uma arca. Isso mesmo, A Volta do Todo Poderoso faz graça com a história do dilúvio, mas tudo bastante diet. O anarquismo de Jim Carey é substituído pelo bom-mocismo de Steve Carrell, num filme que entende a comédia no seu aspecto físico.
Sem merecer as pedradas das continuações ruins, A Volta do Todo Poderoso é filme-família, pronto em microondas e com receita fácil para um público que pode aproveitar melhor o prato no conforto do lar. Cinema, mesmo, não é o seu habitat.
AS VAIAS DE ANTONIETA
Maria Antonieta (2006) de Sofia Coppola recebeu uma sonora vaia no Festival de Cannes.
Injusto. A diretora imprime nesse filme observações pessoais e um sentido tão feminino que, mesmo sem ter um embasamento mais dramático, consegue cativar com sua graça e simplicidade.

Sofia Coppola faz de trama histórica base para filme de cunho intimista
Sofia, de Encontros e Desencontros (2003) e As Virgens Suicidas (1999), põe em prática a teoria pós-moderna de mistura de ciclos. Fato concretizado na trilha sonora Década de 80, com palco ambientado em Versailles.
Kirsten Dunst encara um personagem forte com ar de “Patrícia”. O que incomoda quem procura um drama mais carregado e, talvez, tenha sido atenuante nas já citadas vaias.
Essa opção se Sofia se torna mais “entendível” quando sentimos se tratar, na verdade, de uma impressão inspiradora da saga daquela rainha que, na observação da diretora, sofria com a ausência do marido (rei), da convivência com a aristocracia francesa, e se apegava nos gastos e nas futilidades e, afinal, não passava de uma adolescente para Sofia.
Gosto
O Último Golpe
Relevante observação sobre a deslealdade no mundo corporativo, O Último Golpe (The Last Time, 2006) relata as facetas da concorrência e as maquinações humanas para alcançar um determinado objetivo.
No filme de Michael Caleo, Brendan Fraser é Jamie, um motivado vendedor que sai do interior para trabalhar
Ted (Michael Keaton) é seu colega. Tão experiente quanto arrogante, para ele pouco importa o sucesso ou fracasso do novo parceiro. Por ser o vendedor modelo da empresa, ele se coloca acima dos demais. A sobrevivência da empresa depende dele, que é responsável por cerca de 70% do faturamento mensal.
O filme coloca entre esses dois personagens a noiva (Amber Valeetta) de Jamie, que enxerga no sucesso de Ted a fuga para um caso amoroso. Eles furtivamente passam a se encontrar, enquanto o novato enfrenta um processo de decadência moral e financeira.
Centrado nesse triângulo, O Último Golpe em determinado ponto passa a demonstrar bem o que pretende, no entanto o diretor Caleo prefere segurar o desfecho de sua história para os momentos finais, deixando em suspenso os reais anseios de cada personagem.
Um filme estratégico, que lida com as fraquezas humanas e o furioso espírito capitalista.
ILUSTRADA PUBLICA O PENSAMENTO VIVO DE HOMER SIMPSON
Acabo de ver no Blog da Ilustrada essa entrevista retirada do jornal "USA Today". Vejam só algumas perguntas...

Pergunta: Você ainda parece manter um ótimo relacionamento com Marge após 20 anos. Qual o segredo de um casamento saudável?
Homer: Tentar encontrar interesses comuns. Minha mulher e eu descobrimos que temos filhos da mesma idade, então isso nos dá algo sobre o que conversar durante os comerciais na TV.
Pergunta: Você conseguiu manter seu visual ao longo dos anos. Como faz?
Homer: É um procedimento raro: lipo-injeção. Ei, eles têm que fazer alguma coisa com toda aquela gordura que tiram das pessoas.
Pergunta: Há alguma coisa que você não comeria?
Homer: Minha cabeça. Preciso dela para comer.
Pergunta: Sua ficha na usina nuclear de Springfield é totalmente manchada. Como você nunca foi demitido?
Homer: Ainda trabalho na usina porque o chimpanzé que treinaram para fazer meu trabalho foi promovido. Eu agora me reporto a ele. E todo ano tenho que ir à estúpida festa de natal dele.
Pergunta: Quais são suas posições políticas?
Homer: Tenho um sistema quando voto: Colo da pessoa na cabine ao meu lado. Se estou numa daquelas máquinas eletrônicas de votação, tento marcar a pontuação mais alta. Pode soar estúpido, mas não há como discutir com os resultados: agora temos o mais incrível presidente da história.
IDIOCRACY
Daqui a quinhentos anos o mundo será dominado por completos imbecis. O trabalho será automatizado e o livre arbítrio será eliminado. Nossos recursos naturais serão substituídos por entulhos de lixo. Nesse futuro, as grandes corporações comerciais dominarão a vida por completo e as lideranças políticas serão escolhidas como se elegem astros pop decadentes.

Idiocracy faz crítica de erros que podem acarretar num futuro perdido
Isso tudo pode ser visto em Idiocracy (2006). Um filme, aparentemente, feito de idiotas para idiotas, mas que, na verdade, esconde uma veia crítica aguçada sobre as nossas escolhas de hoje que poderão acarretar num amanhã sombrio. O que só reforça aquela tese de que não se julga um livro pela capa.
No filme, Luke Wilson é um mililtar escolhido para participar de uma missão onde será congelado e, em um ano, descongelado. Algo dá errado (corrupção no programa) e ele é esquecido. Acorda no ano de 2505, quando se depara com o palco citado no primeiro parágrafo.
Como essa sociedade futurística esqueceu os livros e se prendeu na programação de TV analfabeta, ele passa por um teste de Q.I. e é escolhido o homem mais inteligente do planeta. Alçado a essa condição de gênio, Wilson é nomeado Ministro com a intenção de resolver os problemas dos EUA. Um deles: as plantas não crescem, pois são irrigadas com energizantes, no lugar de água.
Idiocracy reúne esse senso crítico e ao mesmo tempo tenta fazer rir, já que a caricatura dos personagens do futuro mais lembra o gênero pastelão. Contudo, mesmo optando por essa visão cômica, reforça essa sensação de que a humanidade realmente comete tais erros.
A PRATICIDADE RETRÔ DE DURO DE MATAR 4.0
Um filme ou um conceito? Não há muito que se discutir num longa-metragem como Duro de Matar 4.0 (Live Free or Die Hard, 2007, de Len Wiseman). A volta de Bruce Willis à pele de John McLane? A narrativa moderna em torno do Cyber Terrorismo? A ação inacreditável e o barulho estoura-tímpanos?

Duro de Matar 4.0 é prático e sem mais delongas
Esses são apenas alguns aspectos de uma franchise que se resume num único diálogo, das mais de duas horas de duração, quando o hacker Justin Long questiona qual o plano de McLane e ele responde na lata “matar o bandido e salvar a minha filha”.
Simples assim. E é essa praticidade que faz de “Duro de Matar
Esse conceito de “Herói Invencível” define a narrativa em torno da dificuldade de matar John McLane (Bruce Willis), Para isso, o diretor Wiseman, de “Anjos da Noite”, utiliza todo o seu arsenal para dar cabo do personagem que, além de não morrer, ainda faz graça da cara dos seus inimigos.
Esse tipo de herói perene já gerou diversos clones em aventuras que, aos poucos, foram perdendo a graça pois, apesar das histórias serem bastante movimentadas, o público sempre tinha a certeza de que, no final, tudo ia acabar bem. Com a entrada de John McLane, no filme de
No início do ano, acompanhamos a volta de Sylvester Stallone no competente “Rocky Balboa” e, agora, recebemos um bom “Duro de Matar”. O que deixa ainda maior a expectativa para 2008, quando se espera um retorno significativo de Harrison Ford em “Indiana Jones IV”.
Acabo de ler na página de Ricardo Calil (www.ricardocalil.com.br) sobre a sua satisfação em ver “Os Simpsons – O Filme”. Ele informa que o filme tem personalidade e o coloca entre os melhores lançados em 2007.

SIMPSONS: Homer e sua trupe em cena do longa-metragem
Confira um trecho do comentário de Calil:”
O filme é uma obra-prima. Não apenas da animação. Da comédia cinematográfica. É um ponto alto de uma tradição americana (maltratada nos últimos anos, é verdade): a de congregar um número espantoso de talentos (o filme deve ter mais de dez roteiristas) para chegar a um produto coeso, redondo, sem arestas, em vez de um Frankenstein.”
Pela cotação no Rotten Tomatoes (89%) o filme deve ser realmente muito interessante. Calil fala que os primeiros cinco minutos são antológicos, arrancando risadas dos (geralmente mal-humorados) críticos de cinema que estiveram presentes na sessão da imprensa.
Pois é, contagem regressiva para conferir “Os Simpsons”.
COMO ERA VERDE MEU VALE...
As marcas do passado, as alegrias perdidas e a degradação são alguns dos pontos apresentados por John Ford

Filme de John Ford, surpreendentemente, superou Cidadão Kane no Oscar de 1941
Baseado no romance de Richard Llwellyn, o longa-metragem conta a trajetória da família Morgan. O clã, e os demais moradores daquele vale, sobrevivem do trabalho numa mina de carvão. Ford nos apresenta as vicissitudes de grupo familiar, levando em conta os aspectos trabalhistas, os dramas e a forma como aquele local que antes transbordava alegria foi perdendo seu brilho exterior, até apagar.
Seus aspectos dramáticos incluem uma forte crítica social aos valores capitalistas, já que os trabalhadores enquanto instrumentos do enriquecimento burguês perdem o seu valor, diante da oferta implausível dos mais desesperados. Ainda há farpas acerca da hipocrisia religiosa e da depredação ambiental.
A fotografia bucólica (em preto-e-branco) de Arthur C. Miller ofusca nossos olhos. Mesmo porque a ausência de cores jamais impede de termos a noção da beleza plástica que imperava naquele lugar. Da mesma forma a sua destruição é ressaltada em fotogramas sujos de poeira, carvão e fuligem.
Um belo, triste e reflexivo filme.
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