FILME DE CAO HAMBÚRGUER DERRUBA TROPA DE ELITE NA DISPUTA DO OSCAR

"O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburger, é o filme escolhido para concorrer a vaga no Oscar e tentar representar o Brasil na categoria de melhor filme estrangeiro. O anúncio foi feito na tarde desta quarta-feira (26), no Rio. O filme.." concorreu com outros 17 longas nacionais, entre eles "Tropa de Elite", "O Cheiro do Ralo", "O Céu de Suely", "Cidade dos Homens" e "A Grande Família - O Filme". (Folha Online)

Comentário do Observatório: O filme escolhido tem boas chances de representar o Brasil. É um longa-metragem simbólico que retrata o Brasil da época da Ditadura sob o olhar de uma criança. Com o impacto de Tropa de Elite, que sequer estreou e já se tornou hit, esperava-se que o filme de José Padilha conseguisse essa vaga. Com essa escolha, a impressão que se tem é que o júri trocou a truculência pela sensibilidade. Vamos ver no que dá!

A COLHEITA DO MAL

 

Hilary Swank já provou duas vezes que é uma boa atriz. Ganhou o Oscar por Meninos Não Choram e Menina de Ouro. Duas atuações magníficas em filmes grandiosos. Recentemente a atriz participou de Escritores da Liberdade, bom filme, mas que não impressiona tanto pelo tema malhado: professor muda a vida de alunos problemáticos.

 

The Reaping Movie Stills: Hilary Swank, David Morrissey, AnnaSophia Robb, Stephen Hopkins
A Colheita do Mal: filme é pretenso redentor de histórias trágicas

 

A verdade é que Swank é boa intérprete e sua presença é um bom chamativo para os filmes que faz. Coisa parecida ocorre com Kate Winslet, que participa de filmes muito bem escritos como Pecados Íntimos.

 

Como todo mundo precisa pagar as contas, Hilary acabou participando desse A Colheita do Mal (The Reaping, 2007) que sofre com o título “Cine-Trash” e deixa sérias dúvidas após uma breve conferida no trailler.

 

Swank é uma cientista especializada em desmascarar “milagres”, mostrando o caráter científico de determinadas manifestações. Um dia, ela é procurada pelo representante de uma pequena cidade norte-americana que acusa uma garota (Anna Sophia Robb de Ponte Para Terabítia) de ter ligações com o capeta e estar fazendo com que aquela localidade enfrente as Dez Pragas do Egito.

 

Você logo percebe que A Colheita do Mal fará o confronto Fé X Razão dando uma nova chance para a personagem repensar a sua vida. Pois a idéia é essa mesma: mostrar que quando perdemos a esperança fechamos uma janela nas nossas vidas. Isso de uma forma bem sentimental, principalmente quando conhecemos o passado da especialista.

 

“A Colheita do Mal” levou peia no Rotten Tomatoes com 7% de críticas positivas. Os efeitos gráficos até que dão para passar o tempo, mas a trama sofre com a síndrome da reviravolta final. Fica tudo meio solto mesmo, contudo é possível encarar uma sessão dupla com o superior O Exorcismo de Emily Rose.

 

No mais, A Colheita do Mal é exercício de tensão de barzinho de fim de estrada que não vende sequer uma cerveja.

TROPA DE ELITE NO FESTIVAL DO RJ

 

Tropa de Elite estréia hoje no Festival do Rio de Janeiro. O filme que ganhou notoriedade após se tornar hit nas bancas dos camelôs chega aos cinemas dia 12 de outubro e, segundo reportagem da Folha de São Paulo, em breve deve desembarcar na TV como seriado.

 

Wagner Moura vive membro do Bope (Batalhão de Operações Especiais) em "Tropa de Elite"

 

Ainda não vi o filme de José Padilha, quero ter o prazer (ou desprazer, nunca se sabe) de vê-lo em tela grande. Essa problemática toda que se formou com essa cópia pirata criou, na verdade, foi uma expectativa ainda maior de se ver Tropa de Elite no cinema.

 

O diretor já rechaçou supostas estratégias de marketing que teriam permitido a entrada do longa-metragem no mercado “três por dez real”, mas ele não pode negar que isso serviu para divulgá-lo no boca-a-boca popular que é, no final das contas, a melhor forma de se levar gente aos cinemas no Brasil. Convenhamos, o ingresso é muito caro.

 A PIRÂMIDE DE CLEÓPATRA

 

Acabo de ler no blog de Luís Carlos Merten que o filme brasileiro Cleópatra vem chamando a atenção da ala masculina por uma cena, digamos, curiosa.

 

É que o diretor Júlio Bressane em determinado momento filma as partes íntimas de Alessandra Negrini, e segundo Merten, concentra-se no triângulo pubiano, que inverte para transformá-lo numa... pirâmide!. Metáfora bem interessante essa.

 


Alessandra Negrini concentra-se para sua melhor cena em Cleópatra

 

Óbvio que a pirâmide de Negrini não será o único atrativo para acompanhar a história da rainha egípcia sob um ângulo nacional. Dizem que o filme de Bressane é muito interessante.

 DEATH PROOF ADIADO PARA MARÇO DE 2008

 

O novo filme de Quentin Tarantino será exibido no Festival do Rio de Janeiro. A notícia ruim disso tudo é que quem perder essa exibição só poderá ver Á Prova de Morte de maneira legal no dia 31 de março de 2008. Enquanto isso, Planeta Terror de Robert Rodriguez estará nos cinemas em 02 de novembro.

 


Pode soprar as velinhas, velho Quentin! Death Proof

vai completar um ano e não chega nos cinemas do Brasil!

 

Estranhamente, essa não é a primeira vez que acontece coisa do tipo com Mr. Tarantino. Kill Bill demorou uma enormidade de tempo para ser exibido no país. Lembro que vi Kill Bill em sessão duplamente mortal com Madrugada dos Mortos, aquele filme podreira do Zack Snyder (300). Foi tanto sangue na tela que enjoei ao final da sessão.

 

Bem, acho que a distribuidora (Europa) está marcando um gol contra com essa demora para exibir Á Prova de Morte, pois o filme logo chegará em DVD no mercado estrangeiro, o que irá facilitar cópias da produção nas “locadora de mei de rua”.

PREMONIÇÕES

 

O roteiro de Premonições (2007) parece um espelho quebrado, de tão estilhaçado. Quer ser drama paranormal, filme de casal em crise e história redentora. Não faz nada disso com segurança e ainda perde tempo com um suspense quebra-cabeça que nunca funciona.

 

Premonition Movie Stills: Sandra Bullock, Julian McMahon, Nia Long, Mennan Yapo
Sandra Bullock Surpresa: afinal, "tá morto ou não tá?"

 

Sandra Bullock é a mulher que recebe a notícia que seu marido morreu de forma trágica. Ela vai dormir e, quando acorda, pluft!, era um “sonho”, ou coisa que o valha. Depois ela pega no sono de novo e, cabum!!, ele já está morto de novo.

 

Nessa confusão ela descobre que pode estar prevendo a morte do marido que não aconteceu. O problema é que ela nem mesmo sabe em qual dia da semana está. Isso nunca fica claro. Por isso ela faz um roteiro numa cartolina para ligar um fato a outro. Nessa sopa de letrinhas ainda entra uma possível agressão a uma de suas filhas e uma mal-vinda visita ao manicômio.

 

A história é assim mesmo, meio que jogada a deus-dará. Bullock bem que tenta fazer papel de mãe preocupada e em crise com a suspeita da traição do marido. Até chega a duvidar se vale à pena salvá-lo do seu destino. Em cenas mais sombrias Premonições mostra uns corvos grasnando e um clima assustador, tudo bem glacê.

 

 O final bem que tenta dar uma aura dark, apostando na coisa dos arrependimentos, da fé perdida, da inevitabilidade e do simbolismo de um novo dia. O que, convenhamos, não rende grande coisa, pois caco quebrado só serve mesmo é pro lixo.

 

A ESTRANHA PERFEITA

 

Um filme ou um equívoco? Não dá para entender bem qual é a proposta de A Estranha perfeita (2007). Como suspense, há falhas na resolução da história. Como filme investigativo, cria pistas e motivos inacreditáveis. E enquanto veículo para mostrar o lado femme Fatalle de Halle Berry perde espaço na sua ingrata futilidade.

 

Perfect Stranger Movie Stills: Halle Berry, Bruce Willis, Giovanni Ribisi, James Foley
Halle Berry e Bruce Willis em filme absurdamente ruim

 

No filme, Halle Berry é uma jornalista que investiga a morte brutal de uma amiga, acreditando que a culpa recai sobre os ombros de um publicitário (Bruce Willis). Logo na primeira cena de A Estranha Perfeita, vemos uma prova de sua habilidade enquanto repórter do ramo ao enquadrar um político famoso. Percepção que logo vai pelos ares, tamanha a quantidade de bobagens cometidas pela personagem, enquanto procura provas para incriminar Willis.

 

Na verdade, o longa-metragem não se leva a sério ao ponto de tentar implantar alguma lógica na sua narrativa. O roteiro, mal-escrito, cria situações inverossímeis demonstra pouca preocupação além de fisgar um público com o crédito de famosos no elenco e a promessa de uma trama envolvendo sangue, sexo e final-surpresa.

 

A falta de compromisso do longa-metragem em contar uma história ao menos razoável termina deixando A Estranha Perfeita com um gosto dos mais indigestos. E com a presença de Halle Berry fica difícil não fazer comparações com Na Companhia do Medo (2003) e Mulher-Gato (2004), outros filmes terríveis da atriz depois que recebeu o Oscar pelo seu papel em A Última Ceia (2002).

 

Recém-chegado em DVD, A Estranha Perfeita é um embuste, que parece atraente ao olhar mais incauto, entretanto, não tem sustância para resistir a uma visão razoavelmente crítica.

ANG LEE FATURA LEÃO DE OURO EM VENEZA COM LUST, CAUTION

 

O filme "Lust, Caution" ("Desejo, Cautela", em tradução literal), do taiwuanês Ang Lee, foi o vencedor neste sábado do Leão de Ouro, no 64º festival de Cinema de Veneza. Foi a segunda vez que ele levou o prêmio --o primeiro foi conquistado com o polêmico "O Segredo de Brokeback Mountain" em 2005.

 

O Leão de Prata ficou com o veterano diretor de cinema americano Brian de Palma, por seu filme contra a guerra no Iraque, "Redacted".

TROPA, PIRATARIA E CENSURA À VISTA

Sequer estreou, Tropa de Elite já acumula duas polêmicas. Uma, o fato de cópias do filme que foram parar nas bancas dos camelôs. Agora, uma reportagem da Folha de São Paulo que afirma que um grupo de oficiais da Polícia Militar quer que a Justiça impeça a exibição do filme de José Padilha, diretor do excelente documentário Ônibus 174.

Segundo a matéria, os policiais assistiram uma versão pirata e, após a sessão, disseram que Tropa de Elite “causa danos” à corporação e que os autores do filme “enxovalharam a PM, o Bope e os policiais”.

Tropa de Elite deve estrear nos cinemas próximo dia 12 de outubro. E a polêmica só serve mesmo para divulgar o filme que, segundo o jornal inglês “Guardian” tem cacife para ser tão bom quanto “Cidade de Deus”

MOTOQUEIRO-FANTASMA

 

Mark Steven Jonhson, diretor, roteirista e produtor, é ás em eliminar o teor mais sombrio dos personagens da Marvel. Já realizou esse feito como roteirista de Elektra (2005) e diretor de Demolidor – O Homem Sem Medo (2003) e Motoqueiro-Fantasma (2007).

 

Ghost Rider Movie Stills: Nicolas Cage, Wes Bentley, Eva Mendes, Mark Steven Johnson
Motoca envenenada: filme não é mais do que barulho e conceito visual

 

Os três personagens têm em comum o fato de vivenciarem tramas amargas, nas histórias em quadrinhos, bastante diluídas nas suas personificações em tela grande. Nenhum dos casos consegue se sobressair ao visual cartoon e histórias moldadas nas sessões vespertinas, sendo, dessa forma, muito fácil identificar uma trama escrita/dirigida pelo já citado diretor.

 

Em Motoqueiro-Fantasma, Nicolas Cage é Johnny Blaze, que fez um pacto na adolescência, acreditando estar trocando a alma pela saúde do pai. Já adulto, exibicionista, ele ë espécie de atleta pop que enfrenta desafios inacreditáveis com sua moto e, durante a noite, se torna o motoqueiro, arauto do demônio.

 

Com a cabeça substituída por uma caveira em chamas, a imagem é mais curiosa do que desagradável, ainda mais pelo pouco caso que o próprio diretor faz da sua história. Uma pena, pois havia potencial para criar um mundo meio velho-oeste, meio suburbano, que demonstra certo potencial até ser emperrado pela fragilidade da narrativa.

 

Mark S. Johnson termina navegando em mares relativamente calmos o que torna Motoqueiro-Fantasma um petardo que chama a atenção em uma ou outra extravagância feita em computador, esquecidas tão logo os cenários são modificados. Falta de ousadia congênita, que prejudica todas as suas interpretações de heróis da Marvel.

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