TROPA DE ELITE JÁ É BLOCKBUSTER
Muitos achavam que a pirataria poderia dificultar a vida de Tropa de Elite nos cinemas. Ledo engano. O marketing viral promovido pelo filme o levou a condição de campeão de bilheteria no último final de semana, quando bateu Residente Evil 3. Mais de 700 mil pessoas já viram a saga do Capitão Nascimento na telona.
Mas isso não é surpresa alguma. A verdade é que o fato de ter caído nas mãos dos camelôs popularizou o filme e criou aquela expectativa de vê-lo também no cinema. Portanto, por mais que José Padilha (o diretor) e sua equipe tenham garantido que não facilitaram a chegada de Tropa ao mercado pirata, o filme se beneficiou, sim, por essa "facilitação".
Claro que o fato do filme ser polêmico e, principalmente, bom, deu uma guinada nesse sentido. Se fosse uma bomba, poucos se interessariam. Coisa boa para o nosso cinema nacional. Que continue assim.
OXE! EU VI AS PELEJAS...
Como todo bom seridoense, estava numa expectativa danada para ver As Pelejas de Ojuara – O Homem Que Desafiou o Diabo, inspirado na obra do escritor potiguar Nei Leandro de Castro.
O maior risco de Ojuara era ter a frente o diretor Moacy Góes que entre outros petardos dirigiu Dom e Maria – Mãe do Filho de Deus, fora outras bombas de efeito anti-matéria. Ou seja, havia sim grandes desconfianças na condução desse filme.
Visto, é grato afirmar que Góes fez um filme alto-astral com gosto de carne de sol e queijo de manteiga. As Pelejas de Ojuara é diversão safada, com toques da boa malandragem nordestina, favorecida pela competente atuação de Marcos Palmeira.

Na história, ele é José Araújo que faz um “buxo” sem querer, é obrigado a casar e, na vida a dois, se revolta com a mulher incessantemente ninfomaníaca, se tornando a partir de uma raiva, Ojuara, herói dos 40º que sai em busca de aventuras pelo semi-árido do RN. O cabra da peste passa por todo tipo de peleja, ganhando fama pelo sertão afora.
O bom do filme é a verborragia típica do seridoense aqui exposta como metralhadora giratória. Os termos utilizados, tão comuns no nosso cotidiano, surgem como espécie de homenagem a quem, vez por outra, lembra que mesmo sem perceber já chamou alguém de “infeliz das costas ocas” ou “da gota serena”. Oxe! Esse tão utilizado adjetivo acaba sendo exclamado por Palmeira meio que simultaneamente com o público observador de suas andanças.
Com ar nostálgico, O Homem Que Desafiou o Diabo faz rir com as presepadas mais hilárias desde O Auto da Compadecida.
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