CRÍTICA FOI “ESTÚPIDA” DIZ PADILHA

Diretor responde à "Variety", revista que definiu seu filme como fascista

O diretor de "Tropa de Elite", José Padilha, rebateu ontem a avaliação do filme feita pela revista americana especializada "Variety". Para ele, a crítica, que classificou o filme como fascista, foi "particularmente estúpida". "Qualquer um que diga que "Tropa" promove o fascismo não sabe do que se trata o fascismo", afirmou no Rio, em entrevista coletiva.


"Em momento nenhum, na Alemanha, tive a sensação de que o filme ia mal de crítica. A Der Spiegel [revista alemã] colocou o filme como um dos favoritos para ganhar o Urso."


O diretor descartou, por enquanto, campanha para que "Tropa de Elite" seja indicado ao Oscar de 2009 em diversas categorias, como ocorreu com "Cidade de Deus" em 2004.


"É muito difícil fazer isso, estaríamos concorrendo com filmes americanos. A gente tem que entender o tamanho do que "Cidade de Deus" fez. É quase impossível fazer o que o Fernando [Meirelles, diretor de "Cidade de Deus'] conseguiu."


Para Padilha, "Cidade de Deus é o filme mais importante da retomada do cinema nacional", e, sem ele, "Tropa de Elite" não existiria.


Ainda ontem, um dos blogs do jornal britânico "The Guardian" publicou o artigo "Fascismo no Cinema", com severas críticas ao filme. "Os brasileiros deviam ter vergonha do sucesso de "Tropa de Elite", um filme que desumaniza as vítimas da polícia", disse o especialista em direitos humanos Conor Foley, que mora e trabalha no Brasil e é autor do livro "Combating Torture: a Manual for Judges and Prosecutors" (combatendo a tortura: um manual para juízes e promotores).

 

Matéria publicada do caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo

 

TROPA DE ELITE VENCE URSO DE OURO EM BERLIM

 

“Tropa de Elite” do diretor brasileiro José Padilha foi o grande vencedor do FestivaL de Berlim, recebendo o Urso de Ouro de Melhor Filme da competição.

 

 

 

O filme foi recebido de forma negativa pela mídia internacional que dirigiu ao longa termos como “fascista”, como ocorreu quando o filme foi lançado oficialmente no país.

 

A trajetória singular do filme de Padilha começou após a “Tropa” chegar ao mercado pirata e se transformar em febre. Depois, nos cinemas nacionais, repetiu o sucesso e levou público recorde às salas de projeção. Foi cogitado como favorito na disputa do Oscar de Filme Estrangeiro, perdendo o posto para “O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias”, que acabou não sendo bem sucedido na indicação.

 

Com a consagração no Festival de Berlim, “Tropa de Elite” ganha força na sua carreira internacional. Inclusive, há chances concretas de, assim como ocorreu com “Cidade de Deus”, ser indicado nas categorias técnicas do Oscar do próximo ano. 

SWEENEY TODD: MELANCOLIA E TRAGÉDIA NESSE TERROR MUSICAL

 

Todos os elementos clássicos dos filmes de Tim Burton estão estampados em Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet. Fotografia em tons azulados, fazendo jus ao sentimento de perda do personagem de Johnny Deep, um pé (ou os dois) fincado no gótico, humor negro que surpreende e faz rir, e um elenco bem inspirado, com tipos deploráveis e outros mais agradáveis.

 Há algo de A Noiva Cadáver, de Edward Mãos-de-Tesoura e até Peixe Grande, que é um de seus filmes mais sensíveis. Vemos de tudo na triste história de um barbeiro (Johnny) acusado injustamente pelo juiz da cidade (Alan Rickman) por um crime que não cometeu. O motivo: sua bela esposa.

 

Sweeney passa anos na cadeia, quando volta quer vingança (O Conde de Monte Cristo?). A trama é meio que uma lenda urbana. O herói/vilão assume sua profissão e mata a todos os que vão em busca de seus serviços de barbeiro, recebendo uma bela navalhada na garganta. O Cadáver se torna carne para as saborosas tortas da Sra. Lovett (Helena B. Carter).

 

Como se trata de um musical, Sweeney Todd é interrompido com freqüência pelas músicas e cantorias. O ritmo, para quem não gosta, pode ficar monótono, mas no geral as canções, quando não são bem interpretadas, tem tanto a ver com a história que pegamos o trem e vamos adiante.

 

O final é da melancolia que se espera em produções desse tipo. Há tragédia, revelações, vinganças cumpridas e traições. Sweeney não é exatamente um herói, mas o filme provoca um sentimento de tristeza, tendo em vista a sua trajetória.

 

Ou seja, é Tim Burton em excelente forma.

BERLIM

IMPRENSA ESTRANGEIRA DIVIDE OPINIÕES SOBRE “TROPA DE ELITE”

A revista norte-americana "Variety" atribui a "Tropa de Elite" um "estilo Rambo" e sustenta que ele faz "uma monótona celebração da violência gratuita que funciona como um filme de recrutamento de seguidores fascistas".

A "Hollywood Reporter" publicou entrevista e reportagem sobre o filme, com destaque em sua capa da edição de ontem, mas chamou-o de "um filme constrangedor sobre policiais assassinos". A crítica afirma que "o pressuposto básico do roteiro escrito por Padilha, Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani é que todo mundo no Rio é corrupto, especialmente as autoridades".

A revista inglesa "Screen", por sua vez, deu ao filme a nota máxima --quatro estrelas, correspondente a "excelente"--, numa crítica farta de elogios. "A montagem corajosa, a incansável câmera na mão e essa espécie de tom quente e realista conhecido desde "Cidade de Deus" e "Amores Brutos" produzem uma mistura que é mais funcional do que inovadora, embora seja eficiente".

A crítica do jornal francês "Le Monde", publicada no blog de cinema do diário, acusa o filme de fazer apologia da tortura: ""Tropa de Elite" é feito segundo a receita do neoconservadorismo hollywoodiano --montagem frenética, câmera epiléptica, narrativa que não deixa nenhum espaço à ambivalência. Não é preciso ser hipersensível para ver no filme uma apologia da tortura e das execuções extrajudiciais", afirma o crítico Thomas Sotinel.

A reação da imprensa alemã foi desigual. O jornal "Berliner Zeitung" avaliou o filme como "excitante e original", disse que ele apresenta "os diversos lados da questão" e o faz com bom "equilíbrio entre os aspectos ficcional e documental".

Já o "Der Tagesspiegel" disse que, no retrato do "mundo pavoroso e sem lei" que o filme faz, "não há zonas brancas e negras; tudo é escuro". Os dois jornais, no entanto, ressaltaram que "Tropa de Elite" não é fascista. "E nisso [fascismo], como você sabe, somos especialistas", comentou o jornalista alemão.

Folha Online 

Cloverfield

FILME DE MONSTRO FINCA PÉ NO REAL

 

Disseram que Cloverfield – Monstro provocava enjôos. Fui ao cinema com essa expectativa. Pensei até em tomar um dramin antes da sessão. Não foi preciso. Acho que meu organismo estava bem naquele dia. Bem, até onde eu pensava. Não enjoei, mas tive uma tremenda dor de cabeça.

 

Acho que esse filme, produzido por JJ Abrams (Lost), tem mesmo essa função de gerar algum efeito físico, a fim de provar sua ligação com a realidade. A câmera é tão tremida que parece que nossos olhos vão saltar. É divertido e alucinante acompanhar tal jornada.

 

O filme/documentário mostra o que seria Nova Iorque destruída por um monstro gigante sob a ótica de pessoas normais e suas câmeras caseiras. Cloverfield dá essa visão, deixando de lado o que a governança poderia fazer para detonar o monstrengo. Fica crível, pois poderia ser qualquer um fazendo aqueles imagens. Há senso de narrativa e um suspense de baixar a pressão de qualquer um.

 

Cloverfield acaba sendo uma metamorfose, filhotinho monstrengo do casamento entre A Bruxa de Blair e filmes de monstros atômicos. Tem um quê de cinema independente com bom tino comercial, aliás com campanha promocional atenta às manias da galera: youtube, orkut, blog, etc.

 

Gostei da desesperança e final irônico. É uma experiência sadomasô de primeira, onde vemos com certo prazer todo o processo de destruição promovido pela criatura e seus predadores e ainda sofremos com as conseqüências físicas da instabilidade da câmera. 

CLOVERFIELD E O IMPACTO DA GERAÇÃO YOUTUBE

 

Cercado de mistérios desde o seu primeiro trailer, Cloverfield estréia hoje nas salas de cinema do Brasil. Depois de faturar a pole position em solo americano, já temos, enfim, alguma noção do que se trata.

 


Cloverfield: imagens tremidas e desfocadas com um pé na realidade

 

Seria um híbrido entre A Bruxa de Blair e Godzilla, inspirado na geração youtube. O filme (ou pseudo-documentário) mostra as imagens caseiras de um monstro destruindo Nova Iorque. Aliás, a cena que dá capa ao filme é a Estátua da Liberdade com a cabeça decepada. Uma grata representação do pesadelo norte-americano.

 

Fala-se que o filme provocou enjôos em pessoas que não suportaram o ritmo tremido-alucinante de Cloverfield. Mas, a idéia é essa mesma. O acesso às tecnologias e a democratização da rede permite que qualquer pessoa relate algum acontecimento por meio de celulares ou câmeras caseiras. Sem os aspectos técnicos de uma produção, mas com a veracidade de quem vivencia na carne o ocorrido. 

 

Cloverfield pode até ser um filme muito ruim, no tocante à trama. Contudo, marca um período singular da influência dos meios de comunicação e do impacto das novas tecnologias nos costumes e no pensamento social. Por isso, deve ganhar um espaço na lembrança dos cinéfilos, principalmente, depois que a poeira baixar.  

OVERDOSE MATOU HEATH LEDGER

 

Acabo de ler na agência Reuters que o Instituto Médico Legal de Nova Iorque anunciou que a morte do ator Heath Ledger foi provocada pelo uso abusivo de remédios.

 

 
Imagem de Heath Ledger como o Coringa do novo filme do Batmam

 

"Heath Ledger morreu em decorrência de intoxicação aguda pelo efeito combinado de oxicodona, hidrocodona, diazepam, temazepam, alprazolam e doxilamina", informou, em nota, o IML.

 

A morte de Ledger pegou de surpresa a comunidade cinéfila. Além de estar em grande fase, após os papéis em Brokeback Mountain e I’m Not There, havia uma expectativa da atuação do ator australiano no novo filme do Batmam, em que ele encarna o Coringa, tradicional inimigo do herói.

 

As primeiras imagens de Ledger como Coringa impressionaram. E, segundo as agências de notícias, a produtora do filme agora enfrenta uma dificuldade na promoção, pois não pega bem jogar imagens de Ledger em oudoors e traillers de cinema. De qualquer maneira, um filme de verão ganha esse aspecto mórbido e, com certeza, atrairá mais público para ver o último papel do ator.

ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ

A importância de um filme pode ser medida a partir do impacto que ele provoca em quem está do outro lado da tela. Muitos filmes apenas passam, esquecemos rapidamente, já outros se perpetuam em nossa lembrança.

Onde os Fracos Não Tem Vez (No Country For Old Men, 2007) dos diretores Ethan e Joel Coen causa essa sensação de perenidade por vários motivos.

Não por ser a história de um assassino (Javier Bardem) perseguindo de forma intensa um homem (Josh Brolin), que fugiu com dois milhões de dólares, de uma malsucedida transação de drogas. Muito menos pela exposição da banalização da violência, onde as pessoas perdem a vida por uma simples jogada errada. Mas por ser um filme que segue à risca os seus princípios. Não faz concessões, muito menos dilui o seu discurso. Mostra o que deve ser mostrado e não se preocupa com as conseqüências da sua visão de mundo.


O olhar da morte: Bardem interpreta um assassino de princípios

A força desse filme, além da sua história, também vem de personagens bem delineados e estrategicamente colocados na trama, em especial de Javier Bardem que exibe a complexidade de um assassino/psicopata que mata com frieza e olhar de desdém para com suas vítimas.

Os Coen criam essa figura que tem princípios bem delineados e procura manter a sua palavra. Um paradoxo, este, doentio, mas que tem lá sua explicação, por mais perplexo que isso tudo possa parecer. Onde os Fracos Não Tem Vez é, dessa maneira, um estudo íntegro e calculado sobre o que a natureza humana tem de mais sórdido e sombrio. 

PAPANGU 48 JÁ ESTÁ NAS BANCAS

Os papangus apresentam o número 48 desta que virou o xodó da imprensa potiguar e que, em pleno carnaval, fez aniversário. São quatro anos de muito bom humor, cultura, informação e entretenimento. E, mesmo com o carnaval chegando ao final, os papangus continuam “soltos na buraqueira” ao lado do leitor comemorando a conquista dessa importante marca.

Para começar com o astral lá em cima, a nossa chamada de capa é “A ciranda do “vote em mim”. Sabe como é, ano de eleição e o bloco de pré-candidatos também está na rua. O tititi é grande, com candidatos para todos os gostos. Entretanto, a maioria anda sambando sem o samba tocar.

No “Autores e Obras”, o bibliófilo Meireles, discorre sobre o “Diário I”, de Lúcio Cardoso;  “O Rei do Baião e Santa Luzia”, de Kydelmir Dantas, está no Papangusando; Patrício Jr., dos Jovens Escribas, está na seção Conto; Tullio Andrade, dos Verborrágicos, chega-nos com o Artigo; E o troféu vai para... Ninguém esperava que isso pudesse acontecer. Mas, todos já queriam ter dado o “troféu Papangu” para: os papangus.

No Talento Potiguar, “Tocando (bem) a vida pra frente”, assinado pelo publicitário Igor Rosado, que esteve com os estudantes da Casa Talento Petrobras, e conta-nos um pouco mais do papel que a Casa exerce sobre os jovens, quase quinhentos.

Alexandro Gurgel assina a matéria em destaque no Estado: “Caraúbas, a beleza bucólica de um sertão encantado”. Alex fala sobre essa cidade que causa alumbramentos instantâneos naqueles que se aventuram em uma visita descabida à região do médio oeste potiguar. Alexandro que também assina o Especial discorrendo sobre “O Sêbado e a confraria daquele sábado”. Nas manhãs de sábado em Mossoró, o dentista Marcos Almeida abre as portas do “Sêbado” — uma corruptela para sebo aos sábados — a fim de receber os amigos e clientes em volta de uma grande mesa, onde acontece declamação de poesia, uma roda de samba e muita conversa sem fim.

Clauder arcanjo entrevistou para a nossa edição de aniversário o jornalista e escritor Murilo Melo Filho. Um norte-rio-grandense que partiu pelo mundo afora, e lá se encontrou com reis, príncipes, rainhas e chefes de Estado, entrevistando-os e sendo por eles recebido. Imperdível.

No espaço reservado à poesia, a sensibilidade poética de Clauder Arcanjo, Joan Edessom de Oliveira, Francisco Miguel de Moura, Helena Kolody e J. saddock de Albuquerque.

Sambando estão os papangunistas David de Medeiros Leite, Antônio Alvino, Damião Nobre, Raildon Lucena, Cefas Carvalho, Antonio Capistrano, Túlio Ratto e Yasmine Lemos, na pequena notável da imprensa potiguar em seu quarto carnaval.

 

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